Periferia de SP tem 2,5 vezes mais pessoas expostas a Covid-19 do que bairros nobres

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Segundo pesquisa, se em bairros nobres 6,5% das pessoas já tiveram contato com o vírus, nos bairros periféricos esse índice é de 16%. Pela média, o estudo mostra que 11% dos moradores da capital já tem anticorpos para a doença


Na cidade de São Paulo, a Covid-19 está 2,5 vezes mais presente na periferia do que em bairros nobres. Essa é a conclusão do estudo “SoroEpi MSP” realizado pelo Grupo Fleury, Instituto Semeia, IBOPE Inteligência e Todos Pela Saúde. O estudo analisou 1.183 pessoas nos 96 distritos de SP entre 15 e 24 de junho.

Se em bairros nobres 6,5% das pessoas já tiveram contato com o vírus, nos bairros periféricos esse índice é de 16%. Isso quer dizer, e mapas de casos de Covid-19 da Prefeitura já mostraram, que há mais gente infectada pelo coronavírus nas periferias da cidade de São Paulo.

Pela média, o estudo mostra que 11% dos moradores da capital já tem anticorpos para a doença. Essa média é maior que a pesquisa sorológica feita pela Prefeitura que mostrou que a prevalência do coronavírus em São Paulo é de 9,5% para os mais de 12 milhões de habitantes da cidade, ou seja: 1,160 milhão de pessoas já tiveram contato com a Covid-19, mas não estão registrados nos dados oficiais.

Levando em conta o nível de escolaridade dos moradores da capital, o estudo “SoroEpi MSP” revela que 22,9% das pessoas que não completaram o Ensino Fundamental já tiveram contato com a Covid-19, enquanto apenas 5,1% de quem tem Ensino Superior completo já se infectaram.

Entre brancos e negros também há uma grande diferença na taxa de prevalência do vírus: 19,7% dos que se identificam como pretos já tiveram contato com a Covid-19 e 7,9% da população branca já teve a doença.

Um levantamento feito pela Rede Nossa São Paulo, que comparou o Mapa da Desigualdade 2019 da capital paulista com dados sobre a Covid-19 divulgados pela Prefeitura de São Paulo, já revelou que: os dois bairros da Zona Sul onde a maior parte da população é negra são os mesmos bairros que registraram o maior número de óbitos por coronavírus (até o dia 18 de junho). Enquanto o Grajaú tem entre seus habitantes 57% negros e 267 mortes por coronavírus e o Jardim Ângela tem 60% de moradores negros e 240 mortes da doença, outros dois bairros têm números muito diferentes que evidenciam a desigualdade na cidade de SP: Moema tem apenas 6% de habitantes negros e 66 mortes e Alto de Pinheiros tem 8% de moradores negros com 44 mortes por Covid-19.

Segundo a pesquisa “SoroEpi MSP”, por causa da desigualdade social, a capital paulista vive duas epidemias. “A epidemia de SARS-CoV-2 no município de São Paulo pode ser entendida como sendo duas epidemias com dinâmicas de propagação distintas, refletindo a desigualdade social presente no município. Apesar de não serem perfeitamente comparáveis, observa-se um aumento da soroprevalência no município de São Paulo entre o início da coleta do projeto piloto (4 de maio de 2020) e esta segunda fase (15 de junho de 2020). Estima-se que houve um aumento de 2,4 vezes (11,4% versus 4,7%) na soroprevalência dos moradores com 18 anos e mais. No mesmo período, o número total de óbitos confirmados, reportados pela prefeitura do município aumentou 2,7 vezes. Aproximadamente 958 mil pessoas com 18 anos ou mais já foram infectados pelo SARS-CoV-2 no Município de São Paulo”, informa o Grupo Mapeamento SARS-CoV-2.

COVID-19 NO ESTADO DE SP

Segundo o governador João Doria, o Estado de São Paulo está próximo de um platô de mortes, ou seja, uma estabilidade na elevação da curva de novos casos de Covid-19. “Nós estamos muito próximos do platô, que é aquela faixa superior e muito próximos de chegar a esse momento aqui no estado de São Paulo. Depois, dizem os especialistas que esse platô segue em uma linha horizontal e depois, na sequência, é o que nós esperamos, o decréscimo”, explicou Doria.

No entanto, nos primeiros 15 dias do mês de julho, o Governo também espera atingir até 23 mil mortes por coronavírus. Até agora, 15.351 pessoas perderam a batalha para o vírus no Estado de São Paulo e outras 157.845 pessoas se recuperaram da doença.


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