Risco de morte por Covid-19 para moradores da periferia é 10 vezes maior que na região central de SP

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O cenário é preocupante: considerando casos confirmados da doença (até o dia 23 de abril), foi registrado que, em sete dias subiu de 87 para 186 o número de casos no Capão Redondo e de 43 para 74 em Pedreira, ou seja, um aumento de 113% e 72%, respectivamente


Nas regiões pobres e afastadas do Centro de São Paulo, o risco de morrer por Covid-19 chega a ser 10 vezes maior do no centro, segundo dados de um boletim divulgado pela Prefeitura.  Na análise, os distritos de São Paulo foram divididos de acordo com os índices de exclusão.

Então, os bairros mais vulneráveis são os que têm menor qualidade de vida, igualdade e desenvolvimento humano. Na comparação com os bairros que concentram mais mortes, existe uma relação grande com os bairros mais pobres.

A pesquisa mostrou ainda que, nas regiões com melhores condições sociais, 90% das mortes por Covid-19 acontecem com pessoas acima dos 60 anos. Já entre a população mais pobre, 90% das mortes acontecem com pessoas acima de 40 anos, assim: para moradores da periferia com idade entre 40 e 44 anos, o risco de morrer por causa do coronavírus é 10 vezes maior.

Na região Sul, os bairros mais vulneráveis para pessoas acima de 60 anos são Campo Limpo e Parelheiros. Muitas causas explicam esses números na periferia:

  • falta de acesso a saúde;
  • alimentação precária, que piorou desde o início da quarentena;
  • doenças não tratadas por demora nas consultas e exames no Sistema Único de Saúde;
  • habitação inadequada, já que muitas pessoas de uma mesma família moram em lugares pequenos e mal ventilados.

“Você ficar um mês num espaço de cinco metros, a pessoa não tem condições psicológicas, então ela nega a existência do vírus e vai pra rua pra conversar. Domingo, principalmente, foi um dia bem atípico: eu vi as ruas lotadas”, explica Paulo Magrão, líder comunitário no Capão Redondo.

O cenário é preocupante: considerando casos confirmados da doença (até o dia 23 de abril), foi registrado que, em sete dias subiu de 87 para 186 o número de casos no Capão Redondo e de 43 para 74 em Pedreira, ou seja, um aumento de 113% e 72%, respectivamente.

Segundo uma pesquisa da Rede Nossa São Paulo: das 32 Subprefeituras da capital paulista, sete não tem leitos de UTI. São elas: Aricanduva/Formosa/Carrão (Zona Leste); Lapa (Zona Oeste); Jaçanã/Tremembé e Perus (Zona Norte); Campo Limpo, Parelheiros e Cidade Ademar (Zona Sul). A pesquisa, que tem dados de fevereiro do Ministério da Saúde, mostra ainda que, a desigualdade é pior porque 60% dos leitos de UTI de São Paulo estão em três Subprefeituras mais “ricas” e próximas ao centro: Sé, Pinheiros e Vila Mariana.

O boletim da Prefeitura informa ainda que, no geral, foram registrados 11.025 casos confirmados da doença na cidade, até o dia 23 de abril. No Morumbi, houve um aumento de 11% no número de casos confirmados: até 17 de abril eram 297 diagnosticados, mas sete dias depois, já havia 331 pessoas. Na Vila Mariana este aumento de casos em uma semana foi ainda maior: 21%, de 218 casos para 264.

A doença também atinge com força a população preta e parda, que mora, justamente, nas regiões mais afastadas do Centro, segundo a Rede Nossa São Paulo. Outra análise feita pela Prefeitura com pesquisadores do Observatório Covid-19, mostra que a população negra tem 62% mais chance de morrer pela doença do que pessoas brancas.


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