Pesquisa revela que algumas Subprefeituras da Zona Sul de São Paulo não têm leitos de UTI

0
189

Na capital paulista, 60% dos leitos de UTI estão em três Subprefeituras mais “ricas” e próximas ao centro, o que indica “exclusão vivida por cidadãos que moram nas periferias da cidade”. De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, o Brasil tem 50 mil leitos de UTI, disponíveis em apenas 545 dos 5.570 municípios brasileiros


Com o agravamento da pandemia de coronavírus no Brasil, leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são essenciais para o tratamento dos pacientes infectados. A quantidade de leitos, porém, pode ser pequena se o país tiver muitos pacientes diagnosticados de forma grave.

De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), com dados de janeiro deste ano, o Brasil tem 50 mil leitos de UTI, sendo 22 mil deles do Sistema Único de Saúde, ou seja, leitos em hospitais públicos.

No entanto, ainda segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, esses leitos estão disponíveis em apenas 545 dos 5.570 municípios brasileiros. Na cidade de São Paulo, são 1.221 leitos de UTI disponíveis.

Essa quantidade de leitos, na maior cidade do Brasil, também é distribuída de forma desigual, segundo uma pesquisa da Rede Nossa São Paulo: das 32 Subprefeituras da capital paulista, sete não tem leitos de UTI. São elas: Aricanduva/Formosa/Carrão, na Zona Leste; Lapa, na Zona Oeste; Jaçanã/Tremembé e Perus, na Zona Norte; Campo Limpo, Parelheiros e Cidade Ademar, na Zona Sul.

“… os resultados são indicativos da exclusão vivida por cidadãos que moram nas periferias da cidade. Este mapeamento revela, mais uma vez, a desigualdade estruturante na cidade mais rica do país. Nesse momento de crise, se por um lado São Paulo tem sido referência em medidas emergenciais, por outro os números atestam que estamos longe de atingir a equidade social. A desigualdade territorial segue acentuando as diferenças e tornando as populações ainda mais vulneráveis”, informa a Rede Nossa São Paulo.

A pesquisa, que tem dados de fevereiro do DATASUS do Ministério da Saúde, mostra ainda que a desigualdade é pior porque 60% dos leitos de UTI de São Paulo estão em três Subprefeituras mais “ricas” e próximas ao centro: Sé, Pinheiros e Vila Mariana. “Enquanto isso, 20% da população (2.375.000 pessoas) vivem em 7 subprefeituras em que não há um leito sequer”, descrevem.

Para sanar este problema da falta de leitos, a Prefeitura adicionou 20 leitos intensivos ao Hospital Municipal de Parelheiros, no extremo Sul da cidade. A intenção é que, até o início de maio, mais 268 leitos da unidade sejam destinados para pacientes considerados graves, o que vai totalizar 288 leitos neste hospital.

E, considerando que a cidade de São Paulo pode ser a mais atingida pela pandemia do coronavírus, o Governo do Estado criou hospitais de campanha para atender pacientes que não estão em estado grave. Os hospitais de campanha no Estádio do Pacaembu e no Complexo do Anhembi já estão em funcionamento; já o hospital de campanha no Ginásio do Ibirapuera deve abrir no dia 1º de maio, com 240 leitos para pacientes de baixa complexidade da doença.


FALE COM A REDAÇÃO[email protected]

- Patrocinado -

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.