Bairros da Zona Sul em que a maioria da população é negra têm mais mortes por Covid-19, aponta pesquisa

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Edição extraordinária da Mapa da Desigualdade revela ainda que o CEP pode ser um fator de risco na pandemia: os distritos paulistanos que não têm favelas apresentam baixo número de óbitos, já os distritos com uma grande quantidade de moradias precárias registraram mais mortes por Covid-19


Um levantamento feito pela Rede Nossa São Paulo, que comparou o Mapa da Desigualdade 2019 da capital paulista com dados sobre a Covid-19 divulgados pela Prefeitura de São Paulo, revela que: os dois bairros da Zona Sul onde a maior parte da população é negra são os mesmos bairros que registraram o maior número de óbitos por coronavírus (até o dia 18 de junho).

Enquanto o Grajaú tem entre seus habitantes 57% negros e 267 mortes por coronavírus e o Jardim Ângela tem 60% de moradores negros e 240 mortes da doença, outros dois bairros têm números muito diferentes que evidenciam a desigualdade na cidade de SP: Moema tem apenas 6% de habitantes negros e 66 mortes e Alto de Pinheiros tem 8% de moradores negros com 44 mortes por Covid-19.

“Apesar dos dados desagregados de óbitos da população negra ainda não serem divulgados, é possível compreender com graus de associação relevante, de que, os falecimentos de Covid-19 afetam mais a população negra, já que os distritos que representam os maiores números de mortes também são os que concentram a maioria da população negra, e na mesma linha, os distritos com os menores números de óbitos pela pandemia são também os que concentram números muito reduzidos de residentes pretos e pardos”, afirma a Rede Nossa São Paulo.

Um boletim divulgado pela Prefeitura em abril revelou que nas regiões pobres e afastadas do Centro de São Paulo, o risco de morrer por Covid-19 chega a ser 10 vezes maior do que no Centro da cidade.

Isso confirma outro dado divulgado pela Rede Nossa São Paulo: o CEP pode ser um fator de risco na pandemia. Ainda segundo a edição extraordinária do Mapa da Desigualdade, os distritos paulistanos que não têm favelas apresentam baixo número de óbitos, já os dois distritos com uma grande quantidade de moradias precárias registraram mais mortes por Covid-19.

“Os dois distritos que têm mais falecimentos por Covid-19 têm o percentual de domicílios em favelas 3 vezes maior que a média da cidade. Brasilândia e Sacomã têm 30% e 28% de seus domicílios em favelas. Juntos, concentram mais de 500 mortes”, explica a Rede Nossa São Paulo.

De acordo com o Mapa da Desigualdade 2019, bairros da Zona Sul também estão entre os que possuem mais favelas e, por consequência tem alta taxa de morte por Covid-19:

  • Capão Redondo: 27,66% de favelas X 237 mortes
  • Campo Limpo: 26,63% de favelas X 144 mortes
  • Jardim Ângela: 25,83% de favelas X 240 mortes
  • Jardim São Luís: 24,09% de favelas X 235 mortes
  • Pedreira: 23,40% de favelas X 92 mortes

TAXA DE PREVALÊNCIA DA COVID-19

Inquérito sorológico feito pela Secretaria Municipal de Saúde revelou que o distrito do Grajaú também é o local com mais casos de coronavírus: 11.032 casos leves de (90,6%) e 750 casos graves (6,4%), ou seja, a quantidade de pessoas que foram hospitalizadas.

Entre todas as regiões da capital paulista, a Zona Sul da cidade de São Paulo é a que teve a menor taxa de prevalência da Covid-19. Uma pesquisa epidemiológica da Prefeitura revelou que apenas 7,5% dos moradores da região Sul testaram positivo para o vírus e criaram anticorpos contra a doença, enquanto na Zona Leste o índice chegou a 12,5%.

No geral, segundo a Prefeitura, a prevalência do coronavírus em São Paulo é de 9,5% para os mais de 12 milhões de habitantes da cidade, ou seja: 1,160 milhão de pessoas já tiveram contato com a Covid-19, mas não estão registrados nos dados oficiais.

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