Cerca de 16% dos estudantes da rede municipal já foram infectados pela Covid-19

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Este número é mais alto do que a taxa de prevalência da população total que foi de 10,9%. Assim, Prefeitura descarta abrir as escolas em setembro para aulas de reforço, conforme permissão do Governo. Dos 6 mil estudantes testados, quase 65% foram assintomáticos, ou seja, não apresentaram sintomas, e para a Prefeitura, isso pode aumentar a disseminação do vírus na cidade de São Paulo


O Inquérito Epidemiológico Escolar feito pela Prefeitura de São Paulo com crianças e adolescentes de 4 a 14 anos de idade revelou que 16,1% dos estudantes da rede municipal de ensino já se infectaram com a Covid-19. Segundo Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde, este é um número “bastante representativo”.

Este número é mais alto do que a taxa de prevalência da população total que foi de 10,9%, conforme o último Inquérito Epidemiológico apresentado.

A Prefeitura tem 675.922 estudantes com idades entre 4 a 14 anos. Desse total, 6 mil foram testados: 2 mil alunos do Ensino Infantil (4 a 6 anos), 2 mil alunos do Ensino Fundamental I (6 a 10 anos) e 2 mil alunos do Ensino Fundamental II (11 a 14 anos).

Os alunos de 4 a 6 anos tem 16,5% de prevalência para o vírus, os alunos de 6 a 10 anos têm taxa de 16,2% e os alunos de 11 a 14 anos tem prevalência de 15,4%.

O Inquérito Epidemiológico também revelou a quantidade de estudantes das escolas municipais que foram assintomáticos: cerca de 64,4% dos alunos se infectaram mas não apresentaram sintomas.  

Para a Prefeitura, isso significa que, devido à alta taxa de disseminação da doença nas escolas, pode haver transmissão para as famílias e para as comunidades, já que a quantidade de alunos que não apresentou sintomas é quase duas vezes maior do que aqueles que tiveram sintomas da Covid-19, que são 35,6% dos alunos.

Segundo o inquérito, estudantes pretos e pardos têm taxa de prevalência mais alta (17,8%) do que estudantes brancos (13,7%). Essa tendência também já havia sido demonstrada nos inquéritos anteriores, realizados com adultos.

Segundo a distribuição de classe social, os alunos da classes D e E contabilizam 64,4% dos que já tiveram contato com o vírus. Dos estudantes que pertencem a classe A e B, apenas 0,4% já foram infectados pela Covid-19.

Desde a paralisação das aulas, cerca de 98% dos estudantes fizeram o distanciamento social. Quanto ao uso de máscara, 76,7% informaram que sempre usam e 14,1% afirmaram que usam a maioria das vezes.

Uma das maiores preocupações das autoridades de saúde sempre foi o fato de que, sem as aulas, muitas crianças ficariam em casa com os avôs e avós, e isso poderia aumentar a transmissão para essas pessoas em situação de risco. No entanto, o inquérito revelou que a maior parte dos estudantes (74,2%) que tiveram o vírus não permaneceram o maior tempo do isolamento social com pessoas com mais de 60 anos.

VOLTA ÀS AULAS

Levando em consideração os dados apresentados no Inquérito, a Prefeitura decidiu que as crianças não voltarão às escolas em setembro para o reforço escolar, permissão concedida pelo Governo do Estado.

“É importante a gente lembrar que o retorno às aulas dessas crianças seria temerário num momento como esse, em que nós estamos controlando a doença na cidade de São Paulo. Até porque é muito mais complicado manter o distanciamento social dentro da sala de aula, do que em bares, restaurantes, estabelecimentos já autorizados o retorno. A retomada das aulas nesse momento, para a Prefeitura de São Paulo, significaria a ampliação do número de casos, a ampliação do número de internações e do número de óbitos. Então, na cidade de São Paulo, nós não teremos o retorno às aulas em setembro, como o Estado autorizou, de reforço com apenas 35% das salas funcionando. Ainda temos o horizonte de outubro porque agora nós teremos outros inquéritos sorológicos, inclusive com as crianças da rede estadual e da rede privada, porque esse foi um inquérito específico para alunos da rede municipal”, disse o prefeito Bruno Covas.

Segundo o prefeito Bruno Covas, a secretaria municipal de Educação vai reforçar as ações para que as crianças continuem com as aulas a distância. Novas medidas devem ser anunciadas ainda nesta semana.


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