Capital registra recorde no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica

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Em maio, o Centro de Referência e Apoio à Vítima aumentou seu atendimento em 70%: com o isolamento, muitas mulheres estão sendo obrigadas a ficarem mais tempo com seus agressores. A Prefeitura criou medidas de combate com ajuda financeira, atendimento humanizado e ágil, rede de acolhida presencial


O Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi) da capital paulista registrou um recorde no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica: em maio, houve aumento de 70% na assistência, em relação ao mesmo mês no ano passado.

No quinto mês de 2020, o Cravi fez 198 sessões por viodeconferência ou telefone, o que significa uma média mensal 71% maior que nos meses anteriores. “Na verdade as vítimas estão precisando de maior apoio e estão mais expostas à situação de violência, especialmente aquelas mulheres cuja casa não funciona como um espaço onde ela consegue se sentir à vontade”, explicou o coordenador geral do Cravi, Bruno Fedri.

Em abril, o Núcleo de Gênero e o Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou que, desde o início da quarentena, houve aumento de 30% nos casos de violência contra a mulher na cidade de São Paulo.

Em fevereiro foram decretadas 1.934 medidas protetivas em caráter de urgência, porém, em março, mês em que começou a quarentena, o número de protetivas subiu para 2.500. Também cresceu o número de prisões em flagrante por causa de violência doméstica: em fevereiro foram 177 e em março, 268.

Os principais fatores de risco, aplicados a situação da pandemia, de acordo com o Ministério Público, são:

  • isolamento da vítima
  • consumo de álcool ou drogas ilícitas
  • comportamento controlador
  • desemprego

“Por isso, é muito importante a gente falar que, apesar do isolamento físico, que é necessário, as pessoas não precisam se isolar virtualmente. Então, é importante que a mulher mantenha contato com as suas bases de segurança: família, amigos, trabalho”, disse Valéria Scarance, coordenadora do Núcleo de Gênero do MPSP.

Os casos de feminicídio também aumentaram no Estado de São Paulo: 41,4%, em relação a 2019, ficando acima da média nacional de 22%. Em outros estados do Brasil, o crime contra a mulher é ainda pior: no Maranhão, os casos de feminicídio cresceram 166%.

A Prefeitura de São Paulo lançou um pacote de medidas de combate à violência doméstica na pandemia:

156 HUMANIZADO: capacitação humanizada e sensível de 60 atendentes mulheres que prestam serviço ao portal 156 para se comunicar de maneira adequada com uma mulher que está próxima ao seu agressor. Em casos delicados, a vítima pode receber atendimento, por telefone, direto da Casa da Mulher Brasileira. Se durante a ligação para o 156 a violência estiver acontecendo, a Guarda Civil Metropolitana ou a Polícia Militar serão acionadas.

Segundo a Prefeitura, “o 156 se soma, portanto, ao canal de denúncia do governo federal, o 180, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência”.

AJUDA FINANCEIRA: disponibilização de vagas em quartos de hotéis para mulheres vítimas de violência, concessão de um auxílio-hospedagem de R$ 400 para mulheres que possuem medida protetiva judicial na cidade de São Paulo e que estão em situação de extrema vulnerabilidade (tem prioridade as mulheres grávidas, com filhos até cinco anos e as que são atendidas na Casa da Mulher Brasileira, CRMs, CCMs, Casas de Acolhimento ou Abrigos Sigilosos).

SAÚDE: ampliação do programa de visita de Agentes de Saúde com foco na violência doméstica.

CAMPANHA DE INFORMAÇÃO: divulgação da campanha #SeguimosPerto nas redes sociais para reforçar quais serviços e equipamentos municipais estão funcionando durante a pandemia. Cartazes com os dizeres “Fique em casa, mas não sofra calada. Em caso de violência doméstica ou suspeita Disque 156 – 180”, estão sendo instalados em bairros mais vulneráveis para as mulheres.

REDE DE ACOLHIDA À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: os equipamentos da rede de enfrentamento a violência continuam abertos: a Casa da Mulher Brasileira (24 horas), os Centros de Referência da Mulher e os Centros de Cidadania da Mulher, a Coordenação de Políticas para Mulheres da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, a Central de Atendimento à Mulher no número 180 e o Disque 156 da Prefeitura.


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