Missão Cumprida: 100ª Peregrinação da Romaria dos Cavaleiros de Santo Amaro (1920 – 2020)

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Nesse ano de 2020, ao completar um século de existência, a Romaria dos Cavaleiros de Santo Amaro enfrenta outra pandemia e teve de fazer uma peregrinação pequena, para evitar aglomerações


Por Karina da Silva Araújo

Em abril de 1920, Cenerino Branco de Araújo, embebido e fortalecido pela sua fé em Bom Jesus, selou seu cavalo e, acompanhado de alguns poucos amigos, partiu rumo à Pirapora do Bom Jesus, a fim de agradecer a Deus por ter poupado a então cidade de Santo Amaro dos efeitos catastróficos da Gripe espanhola. Nesse cenário, nasceu a Romaria dos Cavaleiros do Senhor Bom Jesus de Pirapora de Santo Amaro, um ato de “Fé, Tradição e Penitência”, que vem se repetindo, anualmente, de forma ininterrupta desde então, graças aos vários mantenedores que se revezaram no decorrer desses 100 anos.

Nesse ano de 2020, ao completarmos um século de existência, talvez por ironia do destino estamos novamente frente a frente com outra pandemia. Apesar de ser outro vírus (o COVID-19, que chegou ao Brasil em final de fevereiro oriundo da China), se dispersou entre os paulistanos de tal forma que o Governador do Estado de São Paulo, visando minimizar os efeitos desastrosos da pandemia, decretou a quarentena.

Inacreditável! São Paulo, a cidade que não dorme, a sexta maior cidade do mundo… parou!!! Simplesmente, tudo fechou. Restaurantes, comércios, igrejas, consultórios, academias de ginástica, escolas, faculdades, empresas, etc. Nem o mais pessimista dos videntes ousaria imaginar tal cenário.

Live da Romaria dos Cavaleiros, apresentada por Karina Araújo, com Ivan Lobo e Vitor César

E assim, com o passar do tempo, a Programação do Centenário da Romaria, tão esperada e carinhosamente preparada, precisou ser suspensa, não somente pelas limitações impostas pela quarentena, mas principalmente, porque não havia o menor clima para se comemorar. O avanço da doença agravou a crise econômica do país, e assim, o lema “Unidos em Cristo”, em nosso brasão, nos inspirou a realizar, em 8 de maio, uma Live com a participação especial da dupla sertaneja raiz Ivan Lobo e Vítor César, graças ao apoio incondicional do vereador José Turin. Foi um evento magnífico e teve de tudo: pedidos de músicas, mensagens de apoio, doações e leilões, que resultaram na arrecadação de 200 cestas básicas, que foram distribuídas entre nove instituições de caridade santamarenses.

No entanto, a grande pergunta permanecia no ar: fazer ou não a romaria era a grande questão a ser resolvida.

No meio desse caos, lembrei de meu pai. Quem conheceu Luizão sabe sobre o que estou falando. Mantenedor incansável da romaria por mais de 40 anos, a romaria era a sua religião, e assim, baseado no que julguei que ele faria, na madrugada do dia 30 de maio, sete romeiros centenários usando máscaras personalizadas, selaram seus animais, partiram da Hípica Recanto dos Cavaleiros, no bairro Riviera Paulista, em direção à Catedral de Santo Amaro rumo a Pirapora do Bom Jesus, a fim de manter uma tradição que se repete ininterruptamente por 100 anos. Alguns não entenderam nossa decisão, outros se ofenderam por não chamá-los, mas enfatizo que optamos por fazer a romaria de forma discreta, com poucos cavaleiros, a fim de evitar aglomeração de pessoas, o que a divulgação certamente traria.

Foi uma viagem cansativa de madrugada fria, mas tranquila, e tudo transcorreu dentro do planejado. Ao chegarmos em Pirapora, respeitamos a quarentena e não entramos na cidade. Paramos no Morro do Capoava, lugar muito agradável, situado a 2 km do centro da cidade, detentor de uma bela vista panorâmica, bem como, a Cruz do Milênio, um ponto turístico pouco visitado pelos turistas, conhecido como Cruzeiro de Pirapora.

A nossa missão foi cumprida, a peregrinação foi feita, a tradição foi mantida, a memória de vários mantenedores (Cenerino, Luizão, Agenor Klaussner, José Carnevale, Toninho Engraxate, Mário Careca, Gustavo Fowler, entre outros) foi honrada.

Fechamos um ciclo e abrimos outro. Começamos a escrever a história do segundo século de história para o desgostos daqueles que sempre torcem contra e desejam o fim da mãe de todas as romarias santamarenses, a Romaria dos Cavaleiros de Santo Amaro, a mais genuína tradição de fé de Santo Amaro. Os fatos falam por si, estamos mais fortes e vivos do que nunca.

Em breve, novas surpresas virão. Aguardem!!! Viva Bom Jesus de Pirapora. Viva a Romaria dos Cavaleiros de Santo Amaro!


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