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segunda-feira, 27 junho, 2022
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    Há 50 anos | Ginásio Estadual de Campo Limpo, uma calamidade

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    Matéria publicada em 24 de março de 1972

    Nosso diretor, Armando da Silva Prado Neto, acompanhado do deputado José Maria Marin, esteve no Ginásio Estadual de Campo Limpo, oportunidade em que verificou o estado de abandono em que se encontra aquele estabelecimento de ensino, o sacrifício dos alunos em estudar e a abnegação dos mestres


    Causa revolta o verdadeiro estado de calamidade pública em que se encontra o Ginásio Estadual de Campo limpo, onde se salva apenas o idealismo de sua Diretora e abnegadas professoras, e principalmente o sacrifício dos alunos se conformando em frequentar um estabelecimento de ensino que de há muito está sendo esquecido pelas autoridades competentes. As condições de higiene são precaríssimas, mormente nas dependências sanitárias, pois o poço aberto para abastecimento do prédio já não tem mais vazão.

    A SAEC tem enviado um caminhão de água por semana, que é consumido de imediato pelos alunos do Grupo Escolar, que conta com mais de 2.500 alunos na limpeza do prédio, focando o Ginásio sem uma gota sequer para beber muito menos para limpeza.

    Há necessidade urgente da abertura de um poço artesiano ou pelo menos semiartesiano, sendo que como medida imperativa e provisória se impõe um fornecimento mais assíduo de água pelo SAEC. Não existe a mínima iluminação pública na rua Francisco Peixoto que dá acesso ao Ginásio, nem mesmo no pátio descoberto e em volta do prédio, o que tem servido de estímulo para a presença de marginais, colocando em risco a integridade física dos alunos, com casos de esfaqueamento, pauladas, sem falar no perigo de tráfico de drogas. Grande parte dos alunos saem do Ginásio depois das 23 horas, salientando-se que boa porcentagem deles está na faixa dos 13 aos 16 anos, com grande efetivo feminino. Por incrível que pareça o Ginásio de Campo Limpo não possui nenhum servente, cabendo à Associação de Pais e Mestres arcar com toa a despesa para o pagamento de alguns abnegados que fazem o papel de serventes e auxiliam na Secretaria, isso em detrimento de outras promoções que poderia realizar em favor da melhoria do nível da escola ou de campanhas de benemerências. O sacrifício imposto à diretora é dos maiores, pois além das funções inerentes a seu cargo, fica obrigada a cumprir a função de inspetora de alunos, secretária, servente, tesoureira e encarregada de todo o serviço externo que se faz necessário, numa jornada de 12 a 14 horas de serviço e até mais. Há necessidade de serventes, inspetores de alunos e escriturários, pois nada disso existe. Apesar da existência de ampla área livre, não conta com nenhuma quadra de esportes, não sendo possível as aulas práticas de Educação Física nos dias de chuva e em tempo seco existe o problema da poeira excessiva. A simples adaptação do pátio descoberto, cimentando-se o mesmo, resolveria o problema em parte. A pavimentação e iluminação pública da rua Francisco Peixoto deve ser encarada como obra prioritária, principalmente levando-se em consideração que se trata de um pequeno trecho de apenas 100 metros. Finalmente, a construção de uma sala que possa abrigar uma biblioteca será uma justa recompensa, depois de tanto sacrifício e desespero.


    SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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