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quinta-feira, 26 maio, 2022
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    Grupo de doação de livros do Colégio Humboldt ajuda famílias a economizarem na lista de material escolar

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    Projeto “Doe Humboldt” existe desde 2011, mas foi ganhando mais adeptos há cinco, quando foi criado um grupo de WhatsApp por mães que organizam doações de livros e uniformes e hoje conta com mais de 350 participantes; com a iniciativa, a economia de materiais pode chegar a 90%


    Com a proposta de incentivar a doação, promover a reutilização, reduzir os custos do orçamento familiar e conscientizar os alunos a cuidar de seus materiais, nascia em 2011 o projeto de doação de livros do Colégio Humboldt – instituição bilíngue (português e alemão) e multicultural, localizada em Interlagos (SP).

    Nos últimos cinco anos, o projeto se tornou mais conhecido por meio de um grupo de WhatsApp, em que mães voluntárias atendem famílias do Colégio para as doações. Esta comunicação acontece o ano todo, sendo o maior movimento em dezembro, quando as famílias começam a se movimentar para a compra de livros para o ano letivo seguinte, e em janeiro, no período que antecede a volta às aulas.

    Quando o projeto começou a tomar corpo, as doações eram recebidas e retiradas nas casas das mães voluntárias, mas, com o passar do tempo, mais participantes foram aderindo, uniformes também passaram a ser doados e a instituição cedeu um espaço para o armazenamento das doações. Hoje, há um depósito no Colégio para livros e um para uniformes.

    Na maioria das vezes, as mães Flávia Coelho e Karine Kunst se encarregam dos uniformes, fazendo a triagem daqueles que ainda estão realmente em condições de serem usados e preparando os pacotinhos com os pedidos recebidos.

    “Com a pandemia, continuamos o trabalho, pois a comunicação ocorre via WhatsApp. A organização é feita de acordo com a disponibilidade de tempo de cada voluntária, sem aglomerações. Trabalhamos com máscara o tempo todo e seguimos o protocolo estabelecido pelo Colégio”, comenta Angela Noriko Nakagawa, uma das mães voluntárias e criadora do grupo de WhatsApp.

    Este ano, o grupo inovou, disponibilizando guias por turma, informando quais livros poderiam ser doados, que teriam seu uso continuado, que poderiam ser recebidos em doação, e quais deveriam ser comprados, caso de livros novos adotados para o próximo ano ou consumíveis indicados para compra na lista de material.

    Para participar, a família deve doar livros que ainda façam parte da lista de materiais para o próximo ano letivo, deixando-os devidamente identificados conforme cadastro previamente preenchido em formulário específico, na bancada de “Entrega de Doações” do Grupo Doe, no prazo estabelecido. Além disso, as novas famílias que matriculam seu filho no Humboldt também podem receber doações, o que é uma forma de dar as boas-vindas aos alunos!

    Ao término do prazo estipulado para a entrega das doações, é feita uma verificação de quem já doou e, caso os livros solicitados por estes doadores tenham chegado, os mesmos são separados e a família a receber é comunicada via e-mail para comparecer ao Colégio e retirar os seus volumes, que ficam na bancada de “Retirada de Doações”.

     “A ideia é fixar prazos para que o máximo de livros esteja disponível, a fim de serem distribuídos ao maior número de alunos inscritos”, diz Renata Pietsch Guilger, ex-aluna e hoje também mãe voluntária, que propôs o uso de ferramentas como formulário e site para ajudar na organização do grupo e possibilitar sua ampliação. “Seguindo nosso exemplo, alguns alunos, filhos de mães do grupo, também nos auxiliam quando podem, nos enchendo de orgulho”, conta Renata.

    “A mãe que distribuía livros”

    A mãe voluntária que deu início ao projeto, Theresa Cristina Beduschi Cianci, comenta que tudo começou quase por acaso, quando uma amiga, mãe de trigêmeos que estudavam um ano abaixo do de sua filha Victória, perguntou se ela se importaria em emprestar os livros que pudessem ser reutilizados por um dos seus filhos no ano seguinte. 

    “Disse a ela que não só não me importaria, mas que tentaria conseguir com outras mães de amiguinhas da minha Victória, se elas também não poderiam emprestar. Assim, quase sem querer, os livros começaram a chegar e passar de uma mãozinha para a outra, de um ano para o outro”, comenta. 

    Ela conta que, no início, as trocas e doações eram na “boca a boca”, nas conversas rápidas ao encontrar no deixar ou pegar as crianças no Colégio. Hoje, com tantas outras mães engajadas nessa corrente, a popularidade e procura por doações aumentam cada vez mais. “Ano a ano apareciam mais livros, mais mães passaram a me procurar tanto para solicitar alguns volumes, quanto para oferecer os livros que seus filhos usaram”, reforça. “Acredito que as doações de livros e uniformes têm conseguido a adesão de pelo menos metade das famílias que fazem parte da nossa comunidade escolar. A aceitação e aderência ao projeto vêm crescendo ano após ano”.

    Na biblioteca, há um cantinho especial de livros, principalmente de leitura, que são colocados para doação e vez ou outra, apareciam livros que faziam parte da lista de material de alguma turma. “Sempre que eu sabia de alguma família que tinha filhos que iriam para a série onde aquele livro poderia ser reaproveitado, perguntava se já tinha ou se não precisava. Eu brincava que tinha o filme da Menina que roubava livros e eu era a mãe que distribuía livros!”, diz Theresa.

    Doação salva uma matrícula

    A bancária Cinara Rejane Belter Costa, mais uma voluntaria do grupo e  mãe de três filhos que estudam no Colégio Humboldt desde 2013, já perdeu a conta de quantos livros conseguiu em doações. “Foi começando de pouquinho e quando eu soube da Theresa fazendo essa ajuda para algumas famílias, um dia me foi pedido se eu não podia doar ou emprestar os que eu não ia usar mais. E eu pensei ‘bom, eu não vou usar mais mesmo’”.

    Ela começou a ajudar a pegar livros de mães das suas turmas e falar “estou fazendo assim: estou doando os meus e eu consegui tais livros”. “E começou mais pessoas a darem, até eu pegava de outras mães. O meu carro, o meu porta-malas, vivia cheio de livros.”

    Cinara já chegou a gastar mais de R$ 3 mil na compra de livros. “Hoje, eu só compro se realmente muda o livro, senão, o resto, tudo é doação. Absolutamente tudo. Economizo 90%, na lista de livros.” Para ela, as doações fazem muita diferença, principalmente nesta época. “É um momento em que todo mundo está apertado, muita coisa acontecendo, muita gente perdendo o emprego, escolas dando os descontos. Então, se a escola tem esse trabalho de doação, uma família que está com o dinheiro apertado e contando centavos para poder pagar a mensalidade, ter os livros de graça é uma bênção. Acho que posso arriscar dizer que pode salvar uma matrícula dentro de uma escola.”

    Valorizar e cuidar do material

    Além de economizarem nos gastos escolares, os professores do Humboldt e as mães incentivam nos alunos o cuidado com seus materiais. “Falamos para os nossos filhos sobre o dinheiro que está economizando, que pode ser usado para outra coisa. Então, vamos cuidar para o próximo aluno usar no ano que vem, para ele receber um livro bonito igual ao que recebemos”, conscientiza a mãe voluntária Cinara. 

    Ana Hochheim, mãe de dois filhos que estudam no Colégio Humboldt desde 2015 sempre simpatizou com a reutilização das coisas. Ela costumava comprar os livros no Mercado de Pulgas, evento promovido pelo Colégio na festa de Natal. No final de 2017, seu filho migrou para o currículo alemão e recebeu doação dos livros de Mathematik e de Biologie, ambos em perfeito estado. “Fiquei superfeliz e agradecida”, salienta. “Desde então, tendo sido convidada para entrar no grupo com o mote de que era muito melhor doar e receber do que vender e comprar, me candidatei como voluntária e abracei a ideia, com a certeza de que esse era um projeto realmente bacana, uma corrente do bem, de ajuda real às pessoas. Exemplo para as crianças, de cooperação e cuidado com os livros, o meio ambiente agradece e o bolso também”, finaliza. 

    Sobre o Colégio Humboldt 

    Mantido pela Sociedade Escolar Barão do Rio Branco, o Colégio Humboldt está instalado em uma área de 60 mil metros quadrados e hoje atende a aproximadamente mil alunos, da Educação Infantil ao Ensino Médio. A instituição – referência quando o assunto é ensino de qualidade – oferece ensino bilíngue (português/alemão) e multicultural e dois currículos de formação: um brasileiro e outro alemão. O Colégio oferece, ainda, a possibilidade de avaliação para ingresso no Ensino Superior alemão – Abitur, e a Formação Profissional Dual, ou seja, cursos técnicos na área de Administração, Logística e Informática.


    SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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