Capital paulista registra queda nos índices de vacinação infantil

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A queda na cobertura vacinal já estava sendo detectada há alguns anos, mas por causa da Covid-19, muitas pessoas estão com medo de ir numa unidade de saúde se vacinar contra outras doenças: pela primeira vez em 20 anos, o Brasil não atingiu a meta em nenhuma imunização


Dados do Programa Nacional de Imunizações revelam que revelam que 7 das 8 vacinas que toda criança de até dois anos de idade deve tomar, estão abaixo da meta de vacinação. Isso significa que, pela primeira vez em 20 anos, o Brasil não atingiu a meta em nenhuma imunização.

Dados do 1º semestre da Prefeitura de São Paulo mostram que da meta de 90%, apenas 80,61% das crianças se vacinaram contra o Rotavírus e apenas 56,80% se vacinaram para o BCG (tuberculose).

Entre as vacinas que tem a meta de 95% de cobertura, apenas a pentavalente atingiu 100% de imunização e as outras vacinas ficaram abaixo dos 90%:

  • Sarampo, caxumba e rubéola: 88,97%
  • Pneumocócica 10: 83,03%
  • Meningocócica C: 81,62%
  • Poliomielite: 81,43%
  • Hepatite A: 79,45%

“As pessoas agora estão preocupadas com o Covid e querendo a vacina contra o coronavírus e esquecem que a gente tem vacina pra tantas outras doenças que são muito graves, muito letais também”, disse Adriana Peris, coordenadora do Programa Municipal de Imunizações da capital.

Mas apesar da pandemia da Covid-19, a queda na cobertura vacinal já estava sendo detectada há alguns anos. A vacina BCG, dada aos recém nascidos ainda na maternidade, teve apenas 85% de vacinação em 2019, sendo que a meta é 90%. Contra a poliomielite (paralisia), 82% das crianças foram vacinadas ano passado, sendo o menor índice desde 1997.

As fake news e a complexidade do sistema de vacinação também são fatores que levam as pessoas a não vacinarem seus filhos e a si próprios. “O principal motivo da hesitação é o medo dos eventos adversos, as reações. Cabe aos profissionais da saúde orientar as pessoas de forma mais adequada sobre essas dúvidas que as pessoas tem em relação a vacinação”, explicou Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

VACINA: SARAMPO

A Secretaria de Estado da Saúde prorrogou, até dia 31 de outubro, a intensificação de vacinação contra o sarampo. O principal objetivo é aumentar a cobertura vacinal em adultos na faixa de 30 a 49 anos.

As doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, continuarão sendo aplicadas neste grupo de forma indiscriminada, ou seja, estas pessoas deverão receber um reforço mesmo que já tenham as duas doses completas na carteirinha.

Já para a faixa de crianças de 6 meses a adultos de 29 anos, um profissional de saúde avalia a situação vacinal e, se preciso, aplica a dose para os casos que ainda não tiverem o esquema de imunização completo.

Crianças e adultos, com idade entre um ano a 29 anos, devem ter duas doses da vacina contra o sarampo. Acima desta faixa, até 60 anos, é preciso ter uma dose. Pessoas com idade superior não têm recomendação para imunização. A vacina é contraindicada para bebês com menos de 6 meses, bem como para pessoas imunodeprimidas e gestantes.

VACINA: COVID-19

Uma das vacinas que está sendo desenvolvida contra a Covid-19 teve os estudos paralisados, após um voluntário do Reino Unido ter uma reação adversa ao medicamento. Essa vacina é feita pela empresa AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.

De acordo com um porta-voz da empresa, “o processo de revisão padrão da empresa acionou uma pausa na vacinação para permitir a revisão dos dados de segurança”.

Já a vacina Coronavac, que está sendo desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, gerou uma resposta imunológica em 99% dos idosos testados.

“Foram testados 24 mil voluntários chineses, sendo 421 com mais de 60 anos. O grupo tem uma resposta imune média entre 98% e 99%. A taxa de eficácia da Coronavac é maior do que de vacinas amplamente utilizadas contra outras doenças, como por exemplo, a vacina contra a gripe comum, que tem uma taxa de 50% a 60% de eficácia. Estamos muito otimistas com os resultados da fase três de testes da Coronavac no Brasil”, disse o governador João Doria.


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