Bairros da Zona Sul de SP lideram demanda por vagas em creches

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Dados de junho da Secretaria Municipal da Educação revelam que mais de 20 mil crianças de até 3 anos aguardam por uma vaga, sendo que mais de 6 mil dessas crianças estão na Zona Sul. Apenas entre maio e julho, período de pandemia, a Prefeitura recebeu 5.848 pedidos de matrícula para a educação infantil


Enquanto as autoridades de saúde ainda não deram o aval para que as escolas reabram as portas aos alunos, o ano letivo vai passando e o número de crianças à espera de uma vaga em alguma creche da capital vai aumentando.

Dados de junho da Secretaria Municipal da Educação revelam que mais de 20 mil crianças de até 3 anos aguardam por uma vaga. Apesar do número ser alto, é considerado uma queda de 54% na demanda na comparação com junho de 2019. Isso porque, todo ano, a fila cresce entre março e junho e cai no segundo semestre: em dezembro do ano passado haviam 9.670 crianças na fila.

Os bairros que lideram a fila por creches estão localizados na Zona Sul da cidade:

• Grajaú: 1.326 crianças

Cidade Ademar: 1.312 crianças

Jardim Ângela: 1.268 crianças

Pedreira: 894 crianças

Jardim São Luís: 794 crianças

Capão Redondo: 712 crianças

“Demograficamente, os distritos mais vulneráveis tem mais população infantil nesta faixa etária [0 a 3 anos] do que os distritos com menor vulnerabilidade social. Nas famílias das classes A e B, que vivem majoritariamente nos territórios menos vulneráveis, há uma postergação da matrícula de bebês em creches. Em geral, a criança fica o primeiro ano e, muitas vezes, o segundo ano de vida, em cuidados domésticos”, explica Alexsandro Santos, diretor-presidente da Escola do Parlamento e pesquisador do Núcleo de Estudos da Burocracia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Apenas entre maio e julho, período de pandemia, a Prefeitura recebeu 5.848 pedidos de matrícula para a educação infantil. Desse total, 4.472 pedidos são para a creche e 1.376 para as Escolas Municipais de Educação Infantil, segundo a Secretaria Municipal da Educação.

De acordo com um estudo da Fundação Cecília Maria Souto Vidigal, especializada na Primeira Infância, cerca de 1,3 milhão de crianças de 0 a 3 anos precisam de creche na cidade de São Paulo.

Segundo o Índice de Necessidade de Creche 2018, os principais motivos que levam uma família a buscar uma vaga na creche são:

 • mães que trabalham fora (28,7%);

• pobreza (22%);

• famílias monoparentais (2,7%), que são famílias chefiadas apenas pelo pai ou apenas pela mãe.

Assim como a capital paulista, o Estado de São Paulo lidera o ranking de demanda por vagas em creches com 53,7% das crianças paulistas, entre 0 a 3 anos, que precisam de uma vaga.

“O que nós percebemos é que, em muitas cidades, como é o caso de São Paulo, você já tem 50% das crianças atendidas, mas você tem ainda uma grande demanda por vagas exatamente das famílias que mais precisam e que dependem de uma vaga de uma creche pública porque não podem pagar uma creche privada”, disse Heloisa Oliveira, da Fundação.

A Prefeitura disse que trabalha desde o começo da atual gestão para eliminar a fila por vagas em creches e que em janeiro desse ano alcançou a menor espera da história que foi de 9 mil crianças. A gestão municipal também informou que consegue alocar o maior número de alunos sempre entre o fim e o começo do ano, quando abrem mais vagas e que é natural que ao longo dos meses a fila cresça de novo.


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