Bairros da Zona Sul carecem de infraestruturas cicloviárias, revela pesquisa

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De acordo com Mapa da Desigualdade, menos de 3% dos moradores do Campo Belo têm acesso a ciclovias e ciclofaixas enquanto no bairro ao lado, Moema, mais de 80% das pessoas têm acesso a vias para uso da bicicleta. Na periferia, em Marsilac e Jardim Ângela, por exemplo, a situação é pior: inexiste espaço para tráfego de ciclistas


A proporção da população que reside em um raio de até 300 metros de distância de infraestruturas cicloviárias (ciclovias e ciclofaixas) é de 2,1% no Campo Belo. Próximo dali, em Moema, essa proporção sobe para 87,2% da população.

Outros bairros da Zona Sul, como Marsilac e Jardim Ângela registraram taxa de 0%, ou seja, não há acesso para ciclovias e ciclofaixas nessas regiões.

As informações foram compiladas no Mapa da Desigualdade 2020, que utiliza dados de 2019.

“Quanto maior o valor, maior a quantidade de pessoas que vivem próximas a ciclovias e ciclofaixas, o que pode indicar maior segurança e conforto nos deslocamentos por bicicleta. O ITDP (Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento) estima que apenas 19% da população está a uma distância menor do que 300 metros de vias exclusivas a bicicletas”, explica a Rede Nossa São Paulo, que criou o mapa.

No Mapa da Desigualdade de 2019, que utilizou dados de 2018, o Campo Belo registrou 4,7% de acidentes com vítimas envolvendo bicicleta, para cada 100 mil habitantes. Em Moema a taxa sobe para 6,8%. Mesmo sem ciclovias e ciclofaixas, o distrito de Marsilac registrou 11,9% de acidentes com vítimas, enquanto o Jardim Ângela marcou taxa de 1,2%.

“De acordo com a Pesquisa OD [Origem e Destino, do Metrô] de 2017, o uso da bicicleta cresceu 24% em relação a 2007, quando 304 mil pessoas utilizavam como principal meio de transporte e a cidade possuía cerca de 12 km de infraestrutura cicloviária. Hoje, mais de 375 mil pessoas usam a bicicleta como principal meio de transporte e circulam pelos quase 500 km de ciclovias implantadas no período”, informou o Mapa 2019.

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o Estado de São Paulo é o campeão em número de mortes e internações de ciclistas no Brasil, nos casos de atropelamento que aconteceram entre janeiro de 2010 e junho de 2020.

Neste período, as ocorrências cresceram 57% em todo o Brasil com 8.363 mortes e 12.697 internações. No Estado de São Paulo, cerca de 1.364 ciclistas morreram após colidirem com carros, caminhões, ônibus e outros veículos. Nesta década pesquisada, foram registradas 4.546 internações.

“É preciso reconhecer que ao longo dos últimos anos houve melhorias na estrutura de algumas cidades, sobretudo em grandes capitais como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, essas mudanças não acompanharam a crescente mudança de pessoas que utilizam bicicletas como meio de transporte, esporte ou lazer”, afirma Antonio Meira Júnior, presidente da Abramet.

Em dezembro do ano passado, o Plano Cicloviário lançado pela Prefeitura incluiu novas ciclovias na região do Brooklin, com o Eixo Vicente Rao-Roque Petrone passando pelas avenidas Roque Petroni Junior, Profº Vicente Rao e Vereador João de Luca.

Em agosto deste ano, a Prefeitura iniciou as obras da ciclofaixa na Av. Jornalista Roberto Marinho que terá 4,8 km de extensão em conexão com o Parque Municipal do Chuvisco, com a ciclovia da Berrini, a futura ciclofaixa da Rua Pedro Bueno, a atual estação Campo Belo da Linha 5-Lilás do Metrô, e com as futuras estações do monotrilho da Linha 17-Ouro.


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