PMs que atuam na Zona Sul vão usar câmeras acopladas ao uniforme

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As imagens gravadas serão armazenadas e não será possível excluí-las ou editar o material, para não haver fraudes. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, nos cinco primeiros meses de 2020 a Polícia paulista matou 442 pessoas, sendo 102 delas apenas no mês de abril, durante a quarentena. Na cidade de São Paulo, houve aumento de 34% na letalidade policial


A partir do mês de agosto, 2 mil policiais da cidade de São Paulo vão usar câmeras em seus uniformes. Os PMs fazem parte de três batalhões: 11° e 13° no Centro e 37° na Zona Sul. São 500 câmeras acopladas ao uniforme que vão gravar as imagens da atuação dos PMs, que farão revezamento para uso do equipamento.

As imagens gravadas vão ser armazenadas na nuvem e não será possível excluí-las ou editar o material, para não haver fraudes. Os próprios policiais são responsáveis por ligar as câmeras no atendimento de uma ocorrência emitida pela central, em acidentes ou quando o policial é alvo de criminosos. Os PMs que não ligarem podem ser punidos administrativamente, afastados das ruas ou expulsos da corporação.

“Vai acontecer [de PMs não ligarem a câmera]. Isso não me preocupa, pois a PM é extremamente pesada com a disciplina”, disse o gerente do projeto de câmeras operacionais portáteis, Robson Cabanas Duque. No entanto, é possível saber quando a câmera foi ligada e desligada e assim, comparar com os horários das ações.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, nos cinco primeiros meses de 2020 a Polícia paulista matou 442 pessoas, sendo este o maior número de vítimas desde 2001 no Estado de São Paulo. Apenas no mês de abril, durante a quarentena, 102 pessoas foram mortas por PMs em horário de serviço. Somados os óbitos dos agentes que estavam fora do horário de trabalho, são 116 vítimas em abril.

Os policiais da Grande São Paulo, com exceção da capital, mataram 70% mais entre janeiro e maio deste ano do que no mesmo período do ano passado. Na cidade de São Paulo, este aumento foi de 34%, maior que a letalidade no Estado, que foi de 25%.

Até o dia 23 de junho, a Polícia Militar matou 19 pessoas. No ano passado, entre 1º de janeiro e 23 de junho foram 8 vítimas apenas, portanto, um crescimento de 138% nas mortes de um ano para outro.

Enquanto a letalidade policial cresceu, as punições também aumentaram: de janeiro a maio de 2020, houve aumento de 26% no número de PMs presos no Estado de São Paulo. Os principais delitos atribuídos aos PMs são: homicídio, concussão, tráfico de drogas e lesão corporal.

A maioria das punições só são possíveis por causa das denúncias: entre janeiro e julho de 2019, a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo registrou 1.115 denúncias contra policiais, sendo que 88 delas foram por agressão.  

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, “desde o início da atual gestão, os programas de policiamento têm sido posicionados nos locais de maior incidência criminal para coibir essas práticas e prender os infratores da lei. O confronto não é objetivo das polícias, razão pela qual todas as ocorrências de morte decorrente de intervenção policial são analisadas pelas instituições, rigorosamente investigadas e comunicadas ao Ministério Público. Permanentemente, são avaliadas e implementadas medidas para reduzir a letalidade policial. O compromisso das forças de segurança é com a vida e não com o erro”.


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