Moradores reclamam de mau cheiro na Zona Sul por causa da Represa Billings

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Munícipes alegam que os produtos químicos que têm sido usados para matar algas da represa e o descarte irregular de esgoto são o motivo do forte odor da Represa, que tem levado moradores idosos da região para o Pronto Socorro com mal-estar e ânsia de vômito


O verão ainda não chegou mas, o mau cheiro da Represa Billings já tem sido fonte de reclamação para os moradores da Zona Sul. A moradora da Vila Emir, Ana Paula Silva, relata que vizinhos já foram várias vezes ao hospital com fortes ânsias de vômito por causa do odor da represa.

Na região, circula a informação que o forte cheiro da represa vem do esgoto e dos produtos para matar algas. “O mal cheiro é fortíssimo pela região. E a desculpa é sempre o produto que jogam pra matar algas, mas tem jeito de descarte de esgoto irregular. Os idosos estão indo parar na AMA por mal cheiro, mal-estar e até ânsia de vômito… alguns idosos vão ao UPA da Avenida Nossa Senhora do Sabará e outros para os hospitais da região. Ano passado moradores enviaram um abaixo assinado para a EMAE [Empresa Metropolitana de Águas e Energia] e para a Subprefeitura da Cidade Ademar, mas nunca foi feito nada”.

A Represa Billings faz parte do Sistema Rio Grande que fornece água para 1,5 milhão de pessoas na Grande São Paulo. Com um volume total de 1,2 trilhão de litros, atualmente, a represa está com cerca de 80% de sua capacidade.

Além de Subprefeituras da Zona Sul da capital, municípios do ABC Paulista fazem fronteira com a represa.

Segundo a Sabesp, essa água que chega para a população vem de um braço separado da Billings e não do corpo principal da represa, que concentra a maior parte da poluição. Em alguns pontos da represa o cenário é de acúmulo de lixo e bichos.

A Represa Billings foi criada para armazenar água, mas, com o crescimento da população, muitas pessoas passaram a morar ao redor da represa, em assentamentos irregulares e sem saneamento. Assim, boa parte do esgoto das casas vai para a represa, assim como lixo, que muitas pessoas jogam por vontade própria.

Uma bióloga da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, que faz pesquisas sobre a represa, coletou amostras da água para um estudo: a análise revelou que a poluição chegou a níveis muito altos, o que coloca em risco a saúde das pessoas.

“Existia uma quantidade de poluentes como fósforo, amônia, nitrato, sulfeto, que está pelo menos umas 20 vezes superior ao que determina a lei”, disse a bióloga, professora e pesquisadora Marta Marcondes.

Com a chegada do fim do ano e do verão, que começa no dia 22 de dezembro, o mau cheiro fica muito pior por causa do forte calor.

A Sabesp informou que “todo esgoto coletado e proveniente de imóveis regulares na área é encaminhado para tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri. É importante destacar o fato de a área possuir núcleos irregulares de habitação (onde a Sabesp não pode atuar por lei) que despejam os esgotos in natura na represa Billings. Também contribui para melhorar a qualidade da água da represa o combate à poluição difusa (lixo)”.

Afirmaram também que as atividades da EMAE não produzem poluição, ou seja, não alteram a qualidade da água; e que a EMAE desconhece qualquer abaixo assinado feito pelos moradores no ano de 2018.

Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, “em vistoria realizada no início deste mês, a CETESB constatou uma intensa floração de cianobactérias (algas) na represa Billings. Essas florações são recorrentes na represa, por causa da concentração de matéria orgânica nas águas. Quando morrem, provocam mau cheiro. A CETESB monitora esses episódios para avaliar eventuais interferências na qualidade da água bruta”.


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