Estátua do Apóstolo Paulo em Interlagos é atração de futuro parque para cuidar da Represa Guarapiranga

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Desde o ano passado, uma estátua do Apóstolo Paulo está sendo construída à beira da Represa do Guarapiranga com o intuito de ser um marco da cidade de São Paulo. Dentro do monumento haverá um museu que mostra a história da represa e a importância de cuidar do meio ambiente


Quem passa pela Av. Atlântica, altura do número 4.200, tem visto homens trabalhando na construção de uma estátua que muitos pensam que é Jesus Cristo. No entanto, a estátua instalada a beira da Represa do Guarapiranga representa o Apóstolo Paulo e terá 52 metros de altura, toda feita de aço inoxidável.

A obra foi idealizada pelo escultor Gilmar Pinna e será a principal atração do futuro Parque São Paulo, espaço que deve ser aberto ainda neste ano.

Para a maioria das pessoas, o Apóstolo Paulo é uma figura religiosa. Por isso, já surgiram críticas de vizinhos preocupados com as características ambientais da região e com o trânsito que pode surgir ali.

Mas, há um simbolismo neste Paulo de 52 metros de altura: o intuito é chamar a atenção das pessoas para uma mudança de vida em relação ao meio ambiente, criando uma consciência ambiental para cuidar da Represa do Guarapiranga.

Gilmar Pinna, escultor da estátua

“O Apóstolo Paulo teve um passado difícil: perseguia os cristãos, decapitava essas pessoas. Um certo dia, o milagre do interior dele fez com que ele parasse pra pensar e melhorar na vida, ele caiu na realidade do amor. Então, como o Apóstolo Paulo eu também posso melhorar. Como? Contribuindo para o meio ambiente! Eu também já sujei… quem é que nunca jogou um papel no chão? Hoje eu não faço isso, como o apóstolo. Eu gostaria muito que as pessoas pensassem na represa. Nessa água sagrada que vem dos rios e que as pessoas estão sujando. O nome dessa figura não é de um santo: São Paulo é o apóstolo que deu o nome da cidade de São Paulo, a única cidade que não tem um marco”, explica o escultor Gilmar Pinna.

A obra, porém, não é apenas uma estátua. Para trazer essa educação ambiental, dentro do monumento haverá um museu, com capacidade para 200 pessoas, que contará a história da Represa do Guarapiranga e a história de redenção do Apóstolo Paulo. “O térreo do museu será todo de vidro, porque nós não podemos tirar o direito das pessoas de verem a represa. E o primeiro andar vai ter a história de Paulo, do sofrimento interno até ele ver a luz”, afirma Pinna.

A construção do Parque São Paulo e da Estátua do Apóstolo Paulo não tem investimentos públicos. A propriedade pertence a Michael Polmer, alemão radicado no Brasil há mais de 30 anos e morador de Interlagos. “Já fazem 15 anos que eu estou procurando monumentos e eu queria deixar algo para, em vida, ver o efeito. Aqui vai ser um chamariz para a cidade”, explica o alemão.

Esse chamariz, apesar de ainda estar em processo de montagem, já chamou a atenção: o grupo Limpeza na Represa, que desde o ano passado faz mutirões de limpeza na Represa do Guarapiranga, já se tornou parceiro e ganhou um espaço no local para promover suas ações ambientais.

O alemão Mihael Polmer é proprietário do futuro Parque São Paulo

Depois que o Parque e Estátua estiverem concluídos, a ideia é procurar bancos e outras instituições para patrocinarem o projeto, gerando renda para a manutenção do Parque. “Se a gente achar alguém para manter, podemos deixar aberto ao público, sem cobrar nada. Se isso não ocorrer, cobraremos uma taxa ambiental para intensificar a limpeza e pagar os funcionários”, explica Michael Polmer.

Sobre as preocupações acerca do trânsito, os idealizadores do projeto garantem que já pensaram nos transtornos externos e estão em processo de parceria com proprietários de estacionamentos na região.

“Eu não condeno as pessoas que criticaram sem saber o que estavam criticando, isso é normal do ser humano. As pessoas não vêm aqui pra saber o que é. Alguns falam assim ‘é um monte de lata velha”, mas poxa, eu nem montei ainda. A finalidade é ecológica, limpeza da água da represa. Nós queremos uma represa melhor”, afirma Gilmar Pinna.


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3 COMENTÁRIOS

  1. É um projeto inovador que provoca as reações adversas, mas tbm muito ambicioso. Principalmente por conta da região, e seus mananciais, que por hora foi esquecida pelo Poder público.
    Terão sim alguns impactos principalmente no trânsito, mas qdo se projeta mais um espaço de cultura na nossa cidade para estimular o turismo, e com ele o crescimento de novos postos de trabalho, na reposição dos muitos perdidos por conta da pandemia, estimo de excelente proveito. Principalmente naquela região que perdeu com o tempo alguns atrativos, que por podem ser utilizados com a educação ambiental não só no âmbito da teoria, mas no exercício do fazer juntos uma cidade mais ecológica.

  2. 09.02.2021
    “Presidência/CEO Senhora Patrícia Iglecias da CETESB.
    Em 04.02.2021 foram lavrados Autos de Infração Imposição de Penalidade de Multa e de Infração Imposição de Penalidade de Embargo”.

  3. 08.02.2021
    “Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, obra foi embargada administrativamente e segue sendo monitorada pelas equipes do sistema ambiental paulista”.

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