ARTIGO | Uma perspectiva de psicologia e exercício físico

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Em tempos de copa do Mundo é comum ressaltar a importância do exercício para o cuidado com o corpo e o papel dos esportes na saúde. A relação entre psicologia e treino corporal se desdobra pela psicologia do esporte, que busca acompanhar os atletas, garantindo-lhes as condições mentais sadias em competições e carreira. Contudo, há uma vinculação mais profunda e histórica entre essas duas áreas.

Na antiguidade grega, os atletas que participavam das competições esportivas se submetiam ao regime de ginásticas, tendo em vista que a educação da alma e a educação do corpo integravam o ideal de harmonia e de um viver coerente. Uma das questões levantadas pelo seu contemporâneo filósofo Sócrates é a de que, sendo o corpo regido pela alma, o movimento na ginástica serve para aprimorar as atividades mentais e, sobretudo, engajar a alma nos esforços para conseguir a virtude.

A direção dada à ginástica, ocorre segundo a universalização do princípio do cuidado de si, tendo em vista a conquista de uma vida saudável, mais que apenas um corpo malhado, pois o ser humano é, essencialmente, sua alma, e a ginástica é um meio de formação das virtudes a partir do governo exercido sobre o corpo.

Com essa lógica, fica um alerta para o fato de que, a acumulação de atividades ou treinos pode estar mais atrelada a perpetuação de um ciclo de ansiedade ou outros problemas do que com o cuidado de si, sendo a alternativa para isso a reviravolta socrática que postula ser a virtude mais fundamental e estar mais na base dos comportamentos do que a manutenção corporal por si mesma, sem benefícios para a alma e que não modera o corpo e seu temperamento impetuoso ou lânguido.

A frase que diz “os preguiçosos deixam os prazeres escaparem só para não ter o trabalho de fechar as mãos”, denota que é pelo exercício de nossas atividades psíquicas que podemos estar dispostos a modificar comportamentos que serão bons. Esse treino mental pode ser mais sustentado quando a ginástica física busca fortalecer os pensamentos e impedir que sejam dispersos. Em suma, o paralelo entre treino físico e exercício mental foi e permanece assunto da psicologia, encarregada de discernir suas vantagens e seus propósitos.

João Igor de Moraes é Psicólogo (CRP 06/180298), terapeuta em consultório clínico e pesquisador da história da psicologia, filosofia e cultura


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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