ARTIGO | Uma educação para o agronegócio contemporâneo

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A notícia da criação de novas instituições de ensino dedicadas ao agronegócio é sempre positiva. A vocação do país para a produção de alimentos, fibras e energia provenientes da agropecuária é inegável e a demanda por profissionais nessa área continuará em alta.

Na última semana, mais uma começou a operar. Conduzida por profissionais experientes do setor, como Marcos Fava Neves e Roberto Fava Scare, a Harven Agribusiness School terá foco na gestão do negócio e, certamente, será complementar a centenas de outras escolas voltadas à formação nas chamadas ciências agrárias.

O Brasil é pródigo nessa área, seja em quantidade ou qualidade. Embora não haja uma consolidação dos dados a respeito, um levantamento feito pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) indica que, somando-se as engenharias agronômica, agrícola, de pesca e até cursos de meteorologia, havia, em 2018, quase 500 faculdades oferecendo cerca de 93 mil vagas nessa área.

Na área de Medicina Veterinária, outra importante formadora de quadros para o agronegócio nacional, são outros 479 cursos, segundo dados de 2020 do MEC. Somente entre 2017 e 2020, elas formaram cerca de 40 mil novos profissionais, fazendo do Brasil o recordista mundial nesse quesito.

Temos centros de excelência nas duas áreas, como Esalq-USP, Unesp, universidades federais de Viçosa, Lavras e Santa Maria, para citar algumas. Mas, mesmo nelas, é de se discutir se a evolução dos currículos está em dia com novas questões incorporadas ao cotidiano da produção agropecuária no Brasil.

Seja de olho nas lavouras e nos currais, seja atento a contratos de importação e exportação, novas abordagens precisam ser feitas. Bem-estar animal, agricultura digital, rastreabilidade, mercado de capitais, finanças verdes, mercado de carbono. Incluir temas como esses nos currículos dos cursos superiores ligados ao agro, tanto nas ciências agrárias quanto no business, mais que um diferencial, precisa ser a regra.

Nossas faculdades, nos diferentes eixos, precisam debater agora, por exemplo, as imposições da legislação da União Europeia a respeito da associação entre produção de alimentos e a questão do desmatamento.

Preparar profissionais para o mercado implica em entender o que o mercado quer, com a agilidade que o mercado necessita.

Aline Locks é engenheira ambiental, cofundadora e atual CEO da Produzindo Certo


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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