A pandemia escancara a desigualdade e as mortes aumentam

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As periferias da cidade de São Paulo seguem liderando o ranking de distritos com mais mortes por Covid-19. Sapopemba, Brasilândia e Grajaú tiveram cerca de 400 óbitos cada um. São três bairros, em três regiões diferentes longe do centro da cidade. Isso demostra que não se trata de mero acaso! É uma parcela da população mais pobre, morrendo mais, por falta de atendimento ou precariedade do mesmo; e, também por não terem acesso às condições básicas de saneamento e higiene, apresentam crescimento de contaminações.

A Covid-19, além de ser uma pandemia, escancara as desigualdades sociais que existem no país e, particularmente, na cidade de São Paulo. O levantamento da Prefeitura de São Paulo apresentou dados de 11 de março até 3 de agosto, mostrando que Sapopemba, na Zona Leste, foi o bairro que mais registrou mortes pela doença. Foram 437 óbitos. Em seguida, a Brasilândia, outro bairro periférico, na Zona Norte, registrou 368 mortes. O Grajaú, no Extremo Sul da cidade, teve 360 mortes.

Apesar de uma certa estabilidade no número de doentes e mortes, o patamar é alto, o que significa que a pandemia está longe de acabar. Até o dia 11/8 foram confirmados na cidade de São Paulo 15.723 óbitos pela doença. A grande maioria, na periferia.

Isso nos faz pensar que é preciso estabelecer políticas públicas e econômicas voltadas para as regiões mais distantes do centro. Do ponto de vista econômico, é necessário investir na criação de empregos nesses locais, diminuindo os deslocamentos e a superlotação do transporte público. Uma das causas prováveis do maior número de contaminações e mortes são as aglomerações de casa para o trabalho e vice-versa. Possibilitar qualificação profissional dessas pessoas para que ocupem os postos de trabalho próximos às suas residências é fundamental.

Investir em moradia popular é outra necessidade, assim como saneamento básico. Como pessoas que moram apertadas em um único cômodo, vão fazer distanciamento social ou isolamento quando doentes?

Do ponto de vista da saúde, é necessário investir para completar as equipes multiprofissionais na saúde pública, pensar em concurso e contratação de novos profissionais, de forma a ter o pessoal necessário para todos os períodos.

As mortes nas periferias de São Paulo não podem ser apenas números. Precisamos enxergá-las como um pedido de socorro, dessas famílias que choram a perda de seus entes queridos. E não se deve apenas lamentar! O poder público precisa tomar medidas de curto, médio e longo prazos, para diminuir a imensa desigualdade existente entre os moradores dos bairros mais nobres e os da periferia, garantindo condições dignas de vida para todos.


SOLANGE CAETANO é enfermeira e advogada, presidente licenciada do Sindicatos dos Enfermeiros do Estado de São Paulo

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