A infestação zumbi da era moderna

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Alta produtividade, dar conta das múltiplas demandas, exigências mercadológicas/sociais de estar conectado 24h, excessivo consumo eletrônico, falta/excesso de atividade física e abuso de substâncias psicoativas são algumas das razões para a população das potências mundiais terem a privação do sono como problema de saúde pública. Quem já sentiu dificuldade para iniciar/manter o sono não está sozinho, uma vez que, no ocidente, o Brasil bate o recorde entre os mais despertos (ou seriam zumbis?), além de saber que os efeitos de uma noite mal dormida não acabam quando o dia começa.

Quanto mais benefícios do sono são encontrados, mais atenção deve-se dar para as causas do não-dormir e suas consequências. Se é durante o sono que se regulam as funções imune, endócrina e cognitiva, é natural que a insônia não impacte só no cansaço físico e mental, mas gere patologias gastrointestinais, psiquiátricas, cardiovasculares e neurológicas graves. Logo, ocasiona exatamente o que se tenta evitar quando, para suprir todas as demandas, não se dorme: baixa qualidade de vida, acidentes, baixo rendimento laboral/acadêmico, disfunções sexuais, ganho de peso e doenças tanto oportunistas como sérias. Há pessoas que ficam orgulhosas por se manterem acordadas, pensando que assim enfrentam a realidade; outras temem mais um pesadelo ao irem dormir, pois a vida real já é um; há quem negue a pressão de correr atrás da solução no dia seguinte resistindo ao sono, enganando a si mesmas de que assim impedem o raiar de um novo dia.

Existe também os que usam da privação do sono para se penitencializar das culpas que sente, se torturando quando se enfrenta acordado a tormenta da realidade, e por aguentar as consequências de noites mal dormidas. Seja como for, o sono que se acredita perdido de noite será encontrado na manhã/tarde, e quem priva-se de dormir estará privando-se de viver, mais e melhor. Dormir pouco encurta a vida e prejudica o que resta dela. Talvez o dormir seja o antídoto para o vírus zumbi.


BRUNA GOBBATO SILVEIRA é psicóloga & psicanalista [email protected]

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