Unidades Básicas de Saúde realizam atendimentos psiquiátricos e psicológicos na capital

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Equipamentos recebem pessoas que procuram tratamento espontaneamente ou são encaminhadas por outros serviços

Promover a saúde mental é o principal objetivo do Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à promoção da saúde mental e emocional. Na cidade de São Paulo, identificar e tratar condições como ansiedade, transtornos como depressão, bipolaridade e doenças como esquizofrenia são tratados pelos profissionais da Atenção Básica, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Nesses serviços o atendimento é feito pelos integrantes da equipe Multi, formada por  profissionais como enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais, que cuidam do acolhimento das pessoas que chegam tanto por demanda espontânea quanto pelo Núcleo de Prevenção à Violência (NPV) da unidade, por encaminhamento das equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) ou mesmo por meio de outros equipamentos.

No período de janeiro a novembro de 2024 o número de atendimentos com registro de diagnóstico principal de transtorno mental em UBS chegou a 280.128 (em comparação a 215.809 no mesmo período de 2023). Os atendimentos foram registrados em todas as faixas etárias, com um aumento de demanda a partir dos 20 anos, que se mantém de forma constante até os 60 anos.

Confira, abaixo, como funcionam os serviços que compõem a rede de atenção voltada aos cuidados com a saúde mental na cidade.

Atenção Básica

– Unidade Básica de Saúde (UBS) – As 480 UBSs são o principal ponto de atenção à saúde na atenção básica. Estes equipamentos caracterizam-se por um conjunto de ações, tanto no âmbito individual quanto coletivo, o que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades. Conta com equipe multiprofissional, composta por profissionais como assistente social, educador físico, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional e psicólogo. As especialidades médicas indicadas para compor Atenção Básica são ginecologia, pediatria e psiquiatria.

– Consultório na Rua (CnR) –  Na capital este serviço conta com 40 equipes, realiza abordagem e cadastramento por meio de escuta qualificada e formação de vínculo com as pessoas em situação de rua. Faz o acompanhamento em saúde com consultas, orientações, assistência integral à saúde da mulher, gestante e puérpera, crianças e adolescentes, população LGBTIA+, idosos e a todos os grupos populacionais de todas as etnias. É responsável por ampliar o acesso à Rede de Atenção Psicossocial (Raps), articular e prestar atenção integral à saúde de pessoas em situação de rua em determinado território.

– Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) – Tem como proposta promover a convivência entre todas as pessoas, sobretudo as que têm transtornos mentais, deficiências, idosos, crianças, adolescentes e em situação de rua. Normalmente localizados dentro de espaços públicos como parques, os 23 Ceccos da cidade trabalham em articulação com os demais equipamentos da rede intra e intersetorial, desenvolvendo atividades prioritariamente coletivas, como grupos e oficinas das mais diversas linguagens, práticas integrativas e complementares em saúde (Pics), promovendo a interação com o meio ambiente, ações de economia solidária, ações de apropriação do território, celebrações e festividades.

– Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica I (Siat) – Articula os serviços de abordagem territorial e escuta qualificada das secretarias municipais da Saúde e de Assistência e Desenvolvimento Social, com a finalidade de realizar busca ativa e articular o acesso às redes municipais de saúde e assistência social. Também presta atenção integral à saúde aos indivíduos que sejam identificados como usuários abusivos de substâncias psicoativas localizados em cenas de uso aberto e adjacências.

Atenção Psicossocial

– Centro de Atenção Psicossocial (Caps) – Adulto, Infantojuvenil e Álcool e Drogas, nas modalidades II (segunda a sexta, das 7h às 19h) e III (24h, 7 dias por semana, com acolhimento de segunda a sexta das 7h às 19h).  A capital tem 103 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que, nas suas diferentes modalidades, são pontos de atenção estratégicos da Raps. Os Caps são serviços de saúde de caráter aberto e comunitário, constituídos por equipe multiprofissional que atuam sob a ótica transdisciplinar. Realizam prioritariamente atendimento às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e às pessoas com sofrimento ou transtorno mental em geral, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, em sua área territorial, sejam em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial. Os Caps são serviços substitutivos ao modelo asilar.

Reabilitação psicossocial

– Pontos de Economia Solidária – Estes serviços se organizam com base no modelo de cooperativas sociais, constituídas com a finalidade de inserir pessoas em desvantagem no mercado econômico por meio do trabalho, de maneira a levar em conta e minimizar as dificuldades gerais e individuais das pessoas que nelas trabalharem. Na prática, os empreendimentos são formados por um grupo de usuários/trabalhadores fixo e que tenha manifestado interesse na sua adesão ao empreendimento, e tenha sido aceito pelo grupo, com a intermediação da equipe técnica do serviço. Ao ingressar em um empreendimento, os trabalhadores/usuários ou seus curadores tomam ciência e concordam assinam com as regras de funcionamento dos empreendimentos e suas relações, através da assinatura do Termo de Adesão, elaborado em Assembleia.

Atenção Residencial em Caráter Transitório

– Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) e Unidade de Acolhimento Infantojuvenil (UAIJ) – As Unidades de Acolhimento (UA) são serviços residenciais de caráter transitório que, articulados aos outros pontos de atendimento da Raps, acolhem temporariamente pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, de ambos os sexos, que apresentem acentuada vulnerabilidade social e/ou familiar e precisam de acompanhamento terapêutico e proteção temporária.

– Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica II (Siat II) – O Siat II situa-se próximo às cenas de uso aberto de drogas em equipamento com instalações físicas para tratamento em saúde na lógica da redução de danos e acolhida de curto prazo, incluindo estratégias para promover higiene, tratamento em saúde, ressocialização, descanso e lazer. Funciona de forma integrada entre saúde e assistência social, visando dar respostas mais imediatas às necessidades de cada indivíduo nestes dois aspectos, sensibilizando-o para seguimento do tratamento a médio e longo prazo através do encaminhamento ao SIAT III ou outros equipamentos da rede de saúde e assistência, incluindo a possibilidade de retorno familiar. O encaminhamento se dá pela equipe de abordagem de rua (Siat I).

– Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica III (Siat III) – O Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica – Tratamento e Profissionalização (Siat III) se caracteriza como ação integrada de serviços e equipamentos das secretarias municipais da Saúde, de Assistência e Desenvolvimento Social e de Desenvolvimento Econômico e Trabalho para acolhida de médio prazo com tratamento em saúde, ações de assistência social e de qualificação profissional.

– Serviço de Cuidados Prolongados (SCP) – O SCP é um serviço voltado para pessoas que façam uso abusivo de álcool e outras drogas e estejam em situação de vulnerabilidade ou risco social que oferece 39 leitos, acompanhamento e tratamento fundamentados na lógica da abstinência, com permanência possível por até 90 dias e posterior seguimento do cuidado. O encaminhamento se dá via Hospital Cantareira ou Caps AD do município.

Desinstitucionalização

– Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) – Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) são moradias inseridas na comunidade, destinadas a cuidar de pessoas com transtornos mentais crônicos com necessidade de cuidados de longa permanência, prioritariamente egressos de internações psiquiátricas e de hospitais de custódia, que não possuam suporte financeiro, social e/ou laços familiares que permitam outra forma de reinserção. São dispositivos estratégicos no processo de desinstitucionalização. A capital conta com 74 SRTs.

Urgência e emergência

– UPAs e Pronto Socorros – As UPAs e PSs funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, e podem atender grande parte das urgências e emergências. Prestam atendimento resolutivo e qualificado, estabilizando os pacientes e realizando a investigação diagnóstica inicial, de modo a definir a conduta necessária para cada caso, bem como garantir o referenciamento dos pacientes que necessitarem de atendimento. Mantêm pacientes em observação, por até 24 horas, para elucidação diagnóstica ou estabilização clínica, e encaminham aqueles que não tiveram suas queixas resolvidas com garantia da continuidade do cuidado para internação em serviços hospitalares de retaguarda, por meio da regulação do acesso assistencial. O objetivo é concentrar os atendimentos de saúde de complexidade intermediária, compondo uma rede organizada em conjunto com a atenção básica, atenção hospitalar, atenção domiciliar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-192). O Samu-192 é um serviço de atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência.

Atenção Hospitalar

Hospital – Recebem pacientes a partir da solicitação de leito pela Regulação Municipal via Caps AD III, UPA, OS ou outro hospital.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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