São Paulo terá complexo inédito para autonomia e socialização de pessoas autistas

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Preschool development of children with autism spectrum disorder. Educational games for special kids. Multicolored Puzzles - Symbol of the World Day of Awareness about Autism

Espaço público é previsto para agosto de 2024 e tem orçamento de R$ 40 milhões; garoto de 6 anos deve pintar painéis de instalação


Para tentar dirimir a demanda por espaços para socialização de pessoas autistas, está prevista para agosto de 2024 a inauguração do primeiro Centro Municipal para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) do país. O projeto, da Prefeitura de São Paulo, tem valor estimado de R$ 40 milhões e está em fase final de licitação.

As obras começam em janeiro e o local, que será construído com pré moldagens em concreto, ficará localizado onde hoje funciona um equipamento da Secretaria de Esportes, em Santana, zona norte da capital.

Segundo Silvia Grecco, secretária municipal da Pessoa com Deficiência, pasta que será a responsável pelo complexo, apenas a quadra e a piscina semiolímpica serão aproveitadas do equipamento atual. O restante será demolido para a construção do centro de 5.000 m².

“Hoje estima-se que haja 2 milhões de pessoas com TEA no Brasil, sendo que 150 mil estão na cidade de São Paulo, mas esse número pode ser ainda maior”, diz a secretária.

Outro objetivo do centro é que as pessoas autistas conquistem cada vez mais autonomia. Para isso, será montado no espaço um apartamento mobiliado para que os frequentadores exercitem atividades diárias, como arrumar a cama, a casa, usar tanquinho de lavar roupas, além de aprender a cozinhar.

O projeto prevê oficinas e atividades como teatro, dança, cinema, quadra poliesportiva, ginástica, piscina coberta e aquecida para aulas de natação/hidroginástica e sala de tecnologia assistiva.

O público contará também com uma sala para aprendizado de instrumentos musicais e outro espaço exclusivo para fazer canto. Na parte interna haverá um sala sensorial, onde se poderá sentir cheiros, tocar texturas e com saída direta para a área externa que levará a um jardim também sensorial.

No local ainda será construída uma cozinha experimental para que tanto os atendidos quanto as mães possam fazer cursos de empreendedorismo. O teatro terá capacidade para 250 pessoas. A secretária diz que eles assistirão a peças, mas também atuarão. “Convidaremos quem não tem TEA para participar dos elencos. Isso é inclusão.”

Silvia afirma que crianças autistas contam com um mínimo de assistência na rede pública, seja da educação ou da saúde, mas quando se tornam adolescentes e adultos ficam, muitas vezes, até sem terapias.

“Sempre ouvi as mães que chegam na secretaria e sinto na fala delas o desespero quando os filhos completam 14 anos. O que eles precisam é ser amados, respeitados e incluídos. Eu e a minha equipe técnica pesquisamos o que havia de melhor no mundo. Esse centro será o primeiro nesse molde, com todas essas atividades. É um piloto que será ajustado com o tempo.”

Silvia Grecco ressalta ainda a importância de trabalhar a autonomia das famílias com cursos de empreendedorismo ou simplesmente oferecer um dia de lazer.

“Nosso foco também será os cuidadores, que na maioria das vezes são as mães e estão exaustas da rotina. Muitas encerram a carreira profissional para cuidar do filho. Então que essa família possa assistir a um filme, uma peça de teatro, fazer um piquenique.” Fonte: Folha de São Paulo


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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