Relatório indica que Zona Sul é uma das regiões em que a Polícia mais matou em 2018

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“As vítimas em outras regiões e cidades da grande São Paulo têm a mesma realidade: as regiões periféricas”, diz ouvidor das polícias

 

A Zona Sul da cidade de São Paulo, junto com a Zona Leste, são as regiões em que a Polícia mais matou, no ano passado. A informação vem de um relatório da ouvidoria das Polícias da cidade. Enquanto na Zona Leste foram 118 mortes, na Zona Sul foram 80.
Segundo Benedito Domingos Mariano, autor do relatório e ouvidor das polícias, a população periférica dessas áreas são as maiores vítimas. “As vítimas da letalidade policial são 99% pobres, as duas regiões espelham esse perfil. As vítimas em outras regiões e cidades da grande São Paulo têm a mesma realidade: as regiões periféricas”, afirmou.
No ano passado, a Ouvidoria registrou 851 civis mortos pela ação policial de agentes em serviço ou de folga, em uma queda pouco significativa se comparado a 2017, quando 940 pessoas morreram. Nesse ano, apenas 3% das mortes foram investigadas pela Corregedoria da PM.
Em 2017, segundo o relatório, cerca de 26% das vítimas fatais estavam desarmadas durante a ação policial, indicando que em 48% dos casos, os PMs se excederam.
O abuso de autoridade também é um dos principais problemas: cerca de 5540 denúncias foram feitas em relação a atitude das polícias. Mais de 80% das denúncias envolvem policiais militares e 14% policiais civis.
O relatório também indica dados sobre a má qualidade no atendimento das polícias: no total foram 1102 queixas, o que significa uma denúncia a cada três horas. A Zona Sul recebeu 91 reclamações contra o atendimento dos policiais em delegacias, a maioria na periferia.
“A violência na Zona Sul tem a ver com a desorganização, porque é uma região mais nova da cidade. Área de urbanização bagunçada é geralmente mais violenta”, explicou Guaracy Mingardi, especialista em segurança pública.
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