Programa de Recapeamento da capital é o mais sustentável da história

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A reciclagem está incluída nos contratos com as empresas que prestam serviços de Conservação e Manutenção da Malha Viária


São Paulo tornou-se a cidade mais sustentável do mundo na área de pavimentação, por reciclar ao menos metade de todo o asfalto retirado das vias em recapeamento. A dimensão da capital paulista no cenário nacional também projeta esse modelo de trabalho para outros estados e municípios. O Brasil tem a quarta maior malha viária do mundo, superada pelos Estados Unidos, China e Índia. O Estado de São Paulo tem 22 mil quilômetros de rodovias asfaltadas e a capital paulista tem 17 mil quilômetros de vias. Assim, em um dos países com a maior malha viária, a capital tem o equivalente, em km, a 77% das estradas estaduais.
Ainda pouco usada no país, não é pequena a relevância que o RAP Espumado (Reclaimed Asphalt Pavement) ganhou nas vias paulistanas. Na medida certa, como ocorre em São Paulo, traz uma economia de 20% em relação ao rachão (pedra), forma mais tradicional de recomposição da base de uma via. O RAP não substitui totalmente a brita mas, na proporção que São Paulo vem usando, os benefícios são evidentes. É o reaproveitamento com uma engenharia comprometida e voltada à sustentabilidade.

As boas práticas paulistanas podem ser adaptadas em qualquer lugar do mundo. Por este motivo, o espaço Cidade de São Paulo da Casa Brasil levou trouxe essa experiência para os jogos Pan e Parapanamericanos que serão realizados em Santiago, no Chile, entre 20 de outubro e 26 de novembro.

Sobre o processo
O processo de reciclagem do RAP começa durante a fresagem. O material é lançado por enormes esteiras para o interior de caminhões posicionados à frente das máquinas gigantes, que retiram o asfalto antigo. Fragmentado em pedaços menores, são levados para usinas que preparam a mistura com novos agregados e ligante asfáltico. O material volta em caminhões para ser usado como base nos reparos profundos feitos durante o recapeamento. O Rap é parte da estrutura, não a camada final.

Para ter uma infraestrutura mais sustentável, a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) iniciou, em 22 de junho de 2022, o maior programa de recapeamento da história do país, que já pavimentou mais de 9,1 milhões de metros quadrados. O uso do RAP foi definido no edital com a determinação de que, ao menos metade de todo material fresado nas vias, fosse reciclado. A reciclagem está incluída nos contratos com as empresas que prestam serviços de conservação e manutenção da Malha Viária, dentro do Programa de Recapeamento.

O resultado dessa decisão é que o RAP foi provando a viabilidade técnica, além da ambiental, com a redução da demanda por materiais virgens. Até outubro, a cidade já reciclou 755 mil toneladas de RAP e reutilizou nas vias recapeadas cerca de 747 mil toneladas. Estatisticamente, quase 100%.

A reciclagem também acontece no material retirado das guias e sarjetas substituídas para melhorar a drenagem das vias. São resíduos da construção que deixam de ir para os aterros e se tornam oportunidade sustentável.

Além do Rap, a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) apresentará outras duas iniciativas no Chile: o Pátio de Compostagem e o Programa Jardim de Chuva (formados por estruturas com plantas, projetadas para reter temporariamente e absorver o escoamento da água que flui de telhados, pátios, gramados, calçadas e ruas durante as precipitações).

Asfalto 2.0
Em São Paulo, o uso de tecnologias de ponta permitiram determinar o melhor tipo de revestimento asfáltico a ser utilizado em cada trecho de via, como, por exemplo, o Stone Matrix Asphalt — Matriz Pétrea Asfáltica (SMA), um dos melhores revestimentos com polímero disponível no mercado mundial. Conhecido como asfalto 2.0 ou do futuro, o SMA tem alta resistência à deformação, à fadiga e a vida útil também é maior. O SMA é usado em todas as vias por onde passa o fluxo mais pesado e intenso. Exemplo disso são as marginais, a avenida Salim Farah Maluf e a avenida imperatriz, em São Miguel Paulista. Em 51% das vias recapeadas até o momento foi feito o uso do SMA. Nas demais, a última camada é feita com o CBUQ, concreto betuminoso usinado a quente, que aumenta a durabilidade.

Cada via em recapeamento tem um projeto próprio e passou por estudo com uso de scanners a laser e medição da deflação, além do sistema Gaia, que usa um índice de engenharia para classificar as vias e foi a base de informação para o programa. Caixas com até 46 centímetros são abertas nas vias mais problemáticas para corrigir danos estruturais profundos, causados pela intensidade do fluxo e o tempo de uso.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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