Pesquisa da USP mostra desigualdade na vacinação entre bairros nobres e periféricos da Zona Sul

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Segundo o estudo, as regiões mais ricas da cidade têm mais pessoas vacinadas com as duas doses do que os bairros pobres e conclui que “os critérios da campanha de vacinação adotados até o momento tornam-se mais um exemplo de como opera o racismo estrutural em nossas cidades”


Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) revelou que existe uma desigualdade na vacinação contra a Covid-19 entre bairros periféricos e bairros nobres da cidade de São Paulo.

Segundo o estudo, as regiões mais ricas da cidade têm mais pessoas vacinadas com as duas doses do que os bairros pobres. Para o estudo, isso tem a ver com a expectativa de vida, que é mais alta em regiões nobres, e também porque os idosos foram os primeiros imunizados contra a Covid-19.

“A opção de vacinar os mais velhos primeiro, mais sujeitos a situação de agravamento da doença e morte, resultou num percentual desproporcionalmente maior de vacinados no chamado eixo sudoeste da cidade, onde se concentra uma população branca com maior média etária e mais renda. Esta região não coincide com os locais mais afetados pelo vírus”, informa a pesquisa.

Por exemplo: pelos mapas da cidade de São Paulo, pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo avaliaram que, até 17 de maio de 2021, os bairros nobres da Zona Sul (como Santo Amaro, Campo Belo, Moema, Itaim Bibi, Vila Mariana) registraram mais de 12% dos habitantes vacinados contra a Covid-19.

Já os bairros periféricos da Zona Sul (como Parelheiros, Grajaú, Cidade Dutra, Jardim Ângela, Capão Redondo, Pedreira, Cidade Ademar, Jardim São Luís) registraram menos de 7,5% dos habitantes vacinados contra a Covid-19.

A desigualdade se instala além: os bairros periféricos da capital paulista, apesar de terem menos pessoas imunizadas, foram os locais com mais mortes para Covid-19 (cerca de 60 pessoas ou mais a cada 10 mil habitantes). Já os bairros nobres da cidade registraram menos mortes para o vírus (cerca de 20 pessoas a cada 10 mil habitantes) e tem mais pessoas vacinadas.

A pesquisa conclui que “os critérios da campanha de vacinação adotados até o momento tornam-se mais um exemplo de como opera o racismo estrutural em nossas cidades. A reificação de determinados territórios, a priori, produz estigmas que colaboram com a naturalização da morte e, estrategicamente, da inação do Estado. Se por um lado, o problema é repetidamente associado a territórios pretos, pobres e periféricos, por outro lado, nenhuma ação pública foi desenhada a partir desses elementos. A suposta neutralidade do critério etário escamoteia fatos largamente conhecidos sobre nossas cidades: a desigualdade na expectativa de vida é territorialmente demarcada, as atividades laborais são social e territorialmente demarcadas. Às vésperas de uma terceira onda, não é mais possível adiar a adoção de critérios de vacinação que sejam socialmente eficazes e justos”.


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