A matéria resgatada mostra como o Carnaval já movimentava o bairro e ocupava espaço de destaque nas páginas do jornal
Neste mês de fevereiro, o Grupo Sul News celebra a história da Gazeta, trazendo para as páginas atuais os “Fragmentos da Nossa História”, uma edição especial que homenageia o jornal com a publicação de matérias antigas. São textos que criaram a identidade do periódico e ajudaram a moldar e construir a região de Santo Amaro.
O fragmento abaixo traz a manchete “No pé e na garganta, Sampa é só samba”, que foi capa da publicação de 24 de fevereiro de 1990 e que falava do desfile das escolas de samba quando ainda ocorria na Avenida Tiradentes. Abaixo, leia trecho da matéria.
Carnaval: terapia e retempero de forças
O Carnaval não é uma festa brasileira. Mas ficou sendo. Não vamos tratar aqui de suas origens, nem dos palácios, que o definem. Mas desde o ingresso nas passarelas para a Ilha de Vitória, dias de hoje, o Carnaval é o Isto é, os que trabalham e fornecem segurança podem é hoje,
Nos dias da festa, o povo vinha tradicionalmente para as ruas vibrar nas apresentações, grupos mais sofisticados, em geral pertencentes às elites, também entravam na festa. O fenômeno se cristalizou na Europa ocidental e algumas regiões dos Estados Unidos. E consiste nos corsos, nos sucessos carnavalescos, nos bailes de máscaras e de fantasias. É o que acontece em Nice, Veneza e Nova Orleans. Ali, o que existe é suntuosidade. No Brasil, não. Houve até tentativas de elitização. Mas estas não tiveram na natureza popular do Carnaval, a não ser em parte. Os bailes e concursos de fantasias, no Rio de Janeiro, inicialmente, já adquirindo força em outras grandes cidades brasileiras, na prática, são inacessíveis ao povo pobre. Nos desfiles das escolas de samba, como bem acentuou a saudosa Enedina, as tendências se chocam, mas a do que vem do morro, das favelas e dos subúrbios, é que prevalece. Também aqui houve os corsos. Mas o que ficou é o que, a cada ano, mais se fortalece, são os bailes populares e os desfiles das escolas de samba. Claro que, nas diversas regiões do país, as práticas da influência das velhas festas europeias, inclusive carnavalescas, ainda são mais presentes. É o que ocorre no Nordeste e em outras regiões. Mas o grande sentido do Rio de Janeiro.
Nos “bailes” das escolas de samba, vale só a força das fantasias, a comicidade, o que, por vezes, não deixa de dificultar a participação popular. No sambódromo do Rio e na Avenida da Aclimação, em São Paulo, o preço dos ingressos à arquibancada e camarotes é quase proibitivo…
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