Mulheres já representam uma parte crescente no setor tech, mas preconceitos ainda limitam sua trajetória

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Crédito: Freepik

Avanço na formação e no mercado esbarra em estereótipos e barreiras culturais persistentes

A participação feminina nas áreas de tecnologia vem crescendo nos últimos anos, acompanhando a expansão do mercado digital e a consolidação de segmentos como programação, engenharia de software e inteligência artificial. Ainda assim, apesar do aumento na representatividade, entraves estruturais continuam impactando a permanência e o avanço profissional das mulheres nesse cenário.

No Brasil, os dados evidenciam essa disparidade. Segundo o estudo W-Tech 2025, do Observatório Softex, mulheres correspondem a apenas 19,2% dos especialistas em tecnologia da informação, embora sejam maioria na população economicamente ativa. Já levantamento da Brasscom indica que a presença feminina no setor de TI alcança 34,2% da força de trabalho, percentual que vem crescendo, mas ainda distante de um quadro de equilíbrio, sobretudo em funções técnicas e cargos estratégicos.

As dificuldades têm início ainda na formação acadêmica. Em cursos superiores ligados à computação e áreas correlatas, a participação feminina permanece abaixo da média do ensino superior. O quadro revela obstáculos que vão além do acesso, envolvendo estereótipos de gênero, falta de referências em posições de liderança e uma construção social que, historicamente, associou raciocínio lógico e tecnologia ao universo masculino.

Mulheres continuam sub-representadas em cargos técnicos de liderança e enfrentam desafios como diferença salarial, acesso restrito a redes de mentoria e vieses inconscientes em processos seletivos e avaliações de desempenho.

Com a expansão da inteligência artificial, automação e análise de dados, a diversidade nas equipes de desenvolvimento torna-se estratégica, inclusive para reduzir vieses algorítmicos e ampliar perspectivas na criação de soluções digitais.

Para Cássia Ban, CEO da SuperGeeks, a superação desses desafios precisa começar cedo. “Quando meninas têm contato com programação e lógica ainda na fase escolar, as inovações passam a ser compreendidas como linguagem e ferramenta de criação, não apenas de consumo”, afirma.

Segundo a CEO, ampliar a participação feminina no setor exige mais do que expandir o acesso à formação técnica. “É fundamental criar ambientes seguros para a experimentação, incentivar o protagonismo e reforçar que o desenvolvimento digital é um espaço de construção coletiva. Quanto mais cedo essa mensagem é incorporada, maiores são as chances de romper padrões culturais já enraizados”, explica.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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