Moradores da Zona Sul afirmam que racismo aumentou nos últimos 10 anos

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A maioria dos distritos periféricos da Zona Sul têm mais de 30% de sua população de cor preta e parda. E 82% dos paulistanos acreditam que políticos que fazem declarações racistas e preconceituosas estimulam o racismo: um exemplo é o vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, que neste Dia da Consciência Negra (20) disse que “não há racismo no Brasil”


De acordo com o Mapa da Desigualdade 2020, criado pela Rede Nossa São Paulo com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010, a maioria dos distritos periféricos da Zona Sul têm mais de 30% de sua população de cor preta e parda. São exemplos os bairros do Jardim Ângela (60,1%), Grajaú (56,8%), Parelheiros (56,6%), Capão Redondo (53,9%), Pedreira (52,4%), Jardim São Luís (51,3%), Cidade Ademar (50%), Marsilac (48,6%), Campo Limpo (47,9%), Cidade Dutra (45,5%) e Jabaquara (34,4%).

Outros bairros da Zona Sul, considerados “nobres”, têm menos de 15% de sua população de cor preta e parda. São exemplos: Moema (5,8%), Itaim Bibi (8,3%), Vila Mariana (8,7%), Santo Amaro (10,3%) e Campo Belo (12,2%).

Em outra pesquisa da Rede Nossa São Paulo, realizada no último mês de setembro, 49% dos moradores da Zona Sul disseram que o racismo aumentou nos últimos 10 anos. A afirmação é semelhante em outras regiões da cidade e, no geral, 83% da população (entre negros e brancos) acredita sim que o racismo evoluiu.

De acordo com os entrevistados: shoppings e comércios, ruas e espaços públicos, escola/faculdade, trabalho, transporte público, hospitais e postos de saúde, local onde mora e ambiente familiar são os locais onde há diferença de tratamento entre negros e brancos.

A cada cinco paulistanos, quatro (cerca de 82% no total) acreditam que políticos que fazem declarações racistas e preconceituosas estimulam o racismo. Um exemplo é o vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, que neste Dia da Consciência Negra (20) disse que “não há racismo no Brasil”.

“Eu digo para você com toda a tranquilidade: não tem racismo aqui. Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil. Aqui não existe isso. Aqui você pode pegar e dizer é o seguinte: existe desigualdade. Isso é uma coisa que existe no nosso país”, disse Mourão em referência ao caso de um homem negro que foi morto por dois seguranças brancos no estacionamento de um supermercado na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Ainda na pesquisa “Viver em São Paulo: Relações Raciais”, da Rede Nossa São Paulo, 74% dos entrevistados acreditam que pessoas negras têm menos oportunidade de trabalho do que pessoas brancas. E quando há uma oferta de trabalho adequada, a desigualdade acontece no salário: um estudo do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul concluiu que um trabalhador negro recebe 17% menos que um trabalhador branco. Mas outro estudo do IBGE, do ano passado, apontou que um branco ganha 68% a mais que um negro.

“Se você pega dois indivíduos com a mesmíssima origem social, com as famílias de origem exatamente iguais, um negro e outro branco, lá na ponta os negros vão sentir uma desvantagem pura e simplesmente pelo fato de serem negros”, afirma o coordenador da pesquisa, André Salata.

Além de ter menos oportunidades de trabalho e salários desiguais, muitas vezes realizando a mesma função que um branco, a população negra sofre com as piores condições de emprego, um efeito do racismo estrutural. “Nós entendemos que o desemprego está ligado com a cultura da marginalização do negro, está ligado com o racismo estrutural”, explica o diretor da ONG Educafro, Frei David dos Santos.

A pesquisa da Rede Nossa São Paulo conclui que cabe à população branca:

  • Combater o racismo através da informação e educação;
  • Se reconhecer como parte do problema, identificando ações racistas nas pequenas atitudes (como gírias e piadas);
  • Intervir em situações de tratamento diferente entre pessoas negras e brancas;
  • Reconhecer os próprios privilégios (e o racismo estrutural);
  • Participar de protestos (físicos ou online) em apoio às reivindicações das pessoas negras;
  • Votar em pessoas negras nas eleições.

SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

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