Mais de 4 mil obras de arte ligadas à cultura negra de Emanoel Araújo serão leiloadas

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Emanoel Araújo foi Diretor da Pinacoteca e Fundador do Museu Afro Brasil

Emanoel foi um invejável colecionador de itens históricos do Séc. XVII


O saudoso fundador do Museu Afro Brasil, localizado dentro do Parque Ibirapuera, Emanoel Araújo, possui um invejável acervo de arte com mais de quatro mil peças, que estão programadas para serem leiloadas no mês de setembro.

O artista foi um ícone do movimento negro e diretor da Pinacoteca. Entre sua coleção, se encontram pinturas, gravuras, esculturas, joias e obras centenárias de artesanato voltadas a arte negra.

O leilão será celebrado no mês que completará um ano de sua morte, e será realizada simultaneamente com a Bienal de São Paulo. Primeiramente, os itens artísticos irão para exposição por 30 dias. O leilão só não irá vender obras de sua autoria.

Ligados ao movimento negro, há itens que remetem ao artesanato produzido por escravos nos séculos XVII e XVIII, até obras da atualidade. Uma de seus gostos pessoais se encontram em artes do barroco brasileiro, como a escultura de santos.

A arte sacra também faz parte de seu acervo, como as obras de conchas marinhas, de Francisco dos Santos Xavier, artista negro do Século XIX. Na parte de joias, peças que pertenceram a donos de escravos e coronéis também constam para leilão.

Emanoel Araújo, escultor baiano, nasceu numa tradicional família de ourives, aprendeu marcenaria, linotipia e estudou composição gráfica na Imprensa Oficial de Santo Amaro da Purificação. Em 1959 realizou sua primeira exposição individual ainda em sua terra natal. Mudou-se para Salvador na década de 1960 e ingressou na Escola de Belas Artes da Bahia (UFBA), onde estudou gravura.

Sua primeira premiação nacional foi em 1966, por sua participação na II Exposição Jovem Gravura Nacional no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e, no circuito internacional, foi premiado, em 1972, com a medalha de ouro na 3ª Bienal Gráfica de Florença, Itália. No ano seguinte, recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor gravador, e, em 1983, o de melhor escultor.

Entre 1992 e 2002 foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Nos anos de 1995 e 1996 foi membro convidado da Comissão dos Museus e do Conselho Federal de Política Cultural, instituídos pelo Ministério da Cultura. Em 2004, fundou o Museu Afro Brasil, em São Paulo, do qual foi Diretor Curador até a sua morte em 7 de setembro de 2022.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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