Glúten nos alimentos pode causar sérios riscos a quem tem Doença Celíaca

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Eduardo Vidal, criador do Movimento Celíacos do Brasil, luta para criar projetos de lei que melhorem a qualidade de quem tem a doença que atinge 1% da população mundial


Quando vamos ao mercado, é normal que passemos um tempo conferindo as datas de validade – muitas vezes “escondidas” na embalagem – dos produtos para verificar se estão próprios para o consumo. Mas imagine que seu corpo não se dê bem com uma certa proteína, a ponto de ser fatal para seu corpo, fazendo com que além de verificar se o produto está próprio para o consumo, você tenha que passar mais de uma hora no mercado checando se o elemento está presente não só nos alimentos, mas em produtos em geral, tendo que posteriormente fazer ligações as fabricantes para obter esta informação. Para complicar ainda mais, mesmo quando ele não está presente nos alimentos, pode causar sérios riscos à saúde por outros meios de contato. Pessoas com doença celíaca têm um risco aumentado de câncer de intestino. Por isso o diagnostico precoce é fundamental.

O QUE É A DOENÇA CELÍACA?

Doença celíaca é uma doença autoimune, ou seja, quando as células de defesa imunológica agridem as células do organismo, causando um processo autoinflamatório devido a intolerância ao glúten, proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados.

Partículas não digeridas das proteínas do Glúten, atravessam a parede intestinal e geram uma reação do sistema imunológico, agredindo células da camada superficial do intestino delgado, consequentemente gerando uma inflamação e destruindo as vilosidades do intestino (saliências que absorvem nutrientes).

A genética influencia na doença e as reações são diversas, pois cada indivíduo reage de uma forma. Alguns toleram uma pequena quantidade de glúten, outros chegam até mesmo a correrem risco de vida com pouquíssima quantidade.

De maneira em geral, os sintomas aparecem entre os seis meses e dois anos e meio de vida, mas também podem se manifestar na fase adulta, tais como: falta de apetite, dor abdominal, diarreia ou prisão de ventre crônica, inchaço na barriga, anemia, osteoporose, perda de peso e desnutrição, baixa absorção de nutrientes e danos à parede intestinal.

Muitas pessoas não sabem que tem a doença e prosseguem consumindo glúten sem saberem do mau que está causando em seus corpos, com isso vão tendo reações como dor de estomago, dor no intestino, diarreia, vômito, dificuldade de enxergar, dores de cabeça, e no pior estágio a pessoa pode chegar a ter câncer de intestino.

Alimentos comuns que podem conter glúten: pão, torrada, bolacha, biscoito, bolos, macarrão, croissant, donuts, tortilla de trigo (industrializados); pizza, salgadinhos, hambúrguer, cachorro-quente; salsicha e outros embutidos; cerveja e bebidas maltadas; queijos e molhos; temperos prontos e sopas desidratadas; cereais e barrinha de cereais; suplementos nutricionais; café.

Produtos diversos que podem conter glúten: cosméticos; maquiagens; creme dental; shampoo; enxaguante bucal; fármacos; massa de modelar (crianças na escola); papel higiênico.

CONTAMINAÇÃO CRUZADA

Um dos grandes problemas de quem sofre com a doença, é que a contaminação não se dá semento pela ingestão de determinados tipos de alimentos, pois também existe o risco da contaminação cruzada, ou seja, a ingestão de um alimento que contém glúten devido a contaminação durante o processo de produção, que pode ocorrer em:

  • Equipamentos (ambientes compartilhados)
  • Utensílios e materiais (pratos, talheres…)
  • Vestimenta do colaborador (produção industrial)
  • Mãos e adornos (produção caseira)
  • Ar (partículas de glúten podem ficar horas no ar)
  • Bares e restaurantes
  • Escolas e salas de aula
  • Veículos de transporte e bags de entregadores

CELÍACOS DO BRASIL

Segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS), uma compra de supermercado semanal leva em média 40 minutos para ser feita no mercado. Eduardo Vidal, fundador do Movimento Celíacos do Brasil, afirma que para um celíaco, este tempo é elevado no mínimo em 40%.

Eduardo Vidal é cearense e reside em São Paulo desde 2009. Viu a doença atingir sua família em 2018 quando sua esposa foi diagnosticada, desde então, sabendo dos diversos desafios causados pelos efeitos desta doença, se engajou na política para que pudesse pôr em prática projetos de lei que melhorem a vida dos celíacos. “Acredito que a política existe para servir a maioria da sociedade e não é o que estamos vendo […] Temos muitos recursos. Não temos é governança”, afirma Eduardo.

Uma de suas das maiores preocupações quando entrou na luta contra a doença, foi com as pessoas que não tem condições financeiras de manter todos os cuidados, “Quando me deparei com o alto custo da conta do primeiro supermercado depois que minha esposa foi diagnosticada, fiquei imaginando a preocupação de uma pessoa pobre que convive com a doença”, pontua. Por isso, decidiu criar o Movimento Celíacos do Brasil, na intenção de cobrar ações públicas que melhorem a qualidade de vida de quem sofre com a doença.

Um de seus objetivos atualmente, é que aprovem o Projeto de Lei 2484/2021, de sua autoria, junto com o deputado André de Paula, que institui a obrigatoriedade de incluir nos produtos alimentares livres de glúten o símbolo do Grão Cruzado na parte frontal de todos os produtos isentos de glúten, para que a informação seja facilmente identificada. Para saber mais sobre o projeto de lei, clique aqui.

Assim como consta no baixo assinado criado no site do movimento, criado por Eduardo Vidal, celiacosdobrasil.com:

“Aproximadamente 2 milhões de brasileiros tem doença celíaca e a maioria sem diagnóstico.
Desses, aproximadamente 280 mil celíacos vivem abaixo da linha da pobreza.
Mais de 70% dos brasileiros tem intolerância à lactose e quase 20 milhões vivem abaixo da linha da pobreza.”

TRATAMENTO

Uma das partes mais difíceis para quem é celíaco, é a inexistência de tratamento ou medicação específica. Por enquanto, a única solução é uma dieta com total ausência de glúten, só assim os sintomas desaparecem, pois a suspenção do consumo faz com que a mucosa do intestino se recupere, e com o corte total, o órgão se recupera de 1 a 2 anos.

Conviver com todas estas restrições impostas ao longo de toda vida e com uma dieta rigorosa, torna a rotina destas pessoas muito mais complicada em relação aos outros 99% da população, já que a doença atinge 1% da população mundial. Sem contar que existe mais risco de desenvolver câncer de intestino, terem problemas de infertilidade, e até mesmo um apertar de mãos pode ocasionar graves problemas devido a contaminação cruzada.

Enquanto o Covid-19 não acaba, somos obrigados a tomar cuidado com corrimãos, maçanetas, botões de elevador…, mas para quem vive com a doença, é como se estivessem constantemente em uma pandemia, e pelo resto da vida, pois o contado devido a “proliferação” do glúten nestes objetos, pode causar sérios riscos para quem tem doença celíaca.

Projetos que visam facilitar e melhorar a qualidade de vida destas pessoas têm sido aprovados no mundo inteiro, em vários países da Europa, como a Itália, Espanha, e em países da América do Sul, como o Chile, Uruguai e Argentina.

Eduardo Vidal (esquerda) e o deputado André de Paula

SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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