Montagem da Cia Peixes Voadores propõe um mergulho lúdico nas relações entre cidade, natureza e tempo
De um lado, a cidade, com suas pressas, buzinas e relógios. Do outro, a natureza, onde o tempo parece seguir outro compasso. Entre esses dois mundos existe um rio. É nesse território imaginário de fronteira, passagem e possibilidade de encontro, que se passa DO OUTRO LADO DO RIO, espetáculo da Cia Peixes Voadores, que estreou na Sala EMS do BTG Pactual Hall.
Com direção de Maria Alencar e dramaturgia e música original de Luane Sato, a montagem se aproxima das infâncias por meio da linguagem do poema para investigar a relação do ser humano com a natureza e com o tempo. Em um universo onírico, uma onça sente uma estranha coceira no peito e parte em busca de respostas ao lado da sábia Velha Ventania. No caminho, as duas encontram uma criança cujo coração também está inquieto e juntas, precisarão desvendar um mistério que parece estar justamente entre esses mundos.
A pesquisa da companhia partiu de personagens que, segundo o grupo, costumam ser considerados “inúteis” pela lógica da sociedade contemporânea, como crianças, idosos e animais. Ao aproximá-los, DO OUTRO LADO DO RIO cria um encontro entre diferentes formas de perceber e experimentar o tempo.
“O espetáculo nos possibilita fazer teatro brincando e essa é a maior delícia quando se está em cena. Afinal, foi também no ato de brincar com as crianças que descobrimos quem seriam esses personagens que traçam a história dessa peça. O rio é nossa fronteira, ele divide o possível do impossível, a floresta da cidade, a criança do bicho. Mas ele é também a possibilidade do encontro, o caminho em movimento e a agitação”, conta Luiza Kehdi, que assina o dramaturgismo e integra o elenco ao lado de Tcho Salgado.
A encenação também brinca com a percepção temporal. Em cena, os artistas transitam entre personagens e narradores, construindo uma narrativa que não se organiza necessariamente pela lógica linear. “A peça acontece no presente, mas em um tempo diferente, mais lento, não ligado ao real, e sim ao onírico. Criança, onça e velha têm as suas próprias temporalidades, que vão se misturando”, comenta a diretora Maria Alencar.
Serviço:
DO OUTRO LADO DO RIO – Com a Cia. Peixes Voadores.
Quando: até 1º de novembro, sábado e domingo, 15h.
Local: BTG Pactual Hall [Sala EMS] – Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo.
Ingressos: R$ 25 a R$ 120 (venda pelo site Sympla)
Livre.
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