Da plataforma aos trilhos de trem: como a segurança é cuidada nas Linhas 8 e 9

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Equipes nas estações, inspeções, câmeras, drones e monitoramento 24 horas fazem parte do trabalho para tornar as viagens mais seguras

Quem pega a Linha 9-Esmeralda em Santo Amaro, Socorro ou em outras estações da Zona Sul convive diariamente com a parte mais visível da segurança ferroviária: os Agentes de Atendimento e Segurança, as orientações na plataforma e o cuidado na hora de embarcar e desembarcar.

Mas o trabalho na segurança começa muito antes de o cliente chegar à estação. Há equipes inspecionando trilhos, profissionais acompanhando imagens e sistemas 24 horas por dia e recursos como câmeras inteligentes e drones ajudando a identificar situações que precisam de atenção.

As Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda são operadas e mantidas pela ViaMobilidade, integrante da Plataforma de Trilhos da Motiva. Juntas, têm 42 estações e atendem quase 900 mil clientes por dia.

Desde o início da concessão, a ViaMobilidade já investiu R$ 29 milhões em tecnologia, monitoramento e inteligência operacional voltados à segurança. A percepção dos clientes acompanhou esse movimento: o indicador de segurança na pesquisa de satisfação cresceu 36,8% nos últimos quatro anos.

Segurança começa antes da estação

Parte desse cuidado está em um lugar por onde o cliente passa todos os dias, mas dificilmente para para observar em detalhes: a própria via.

A chamada via permanente reúne o trilho e os componentes que dão sustentação a ele, como dormentes, fixações e lastro. Durante as inspeções, as equipes procuram defeitos ou alterações que possam afetar a circulação ou exigir manutenção.

“Via permanente é todo o conjunto que faz do trilho para baixo: o trilho, os dormentes, as fixações e o lastro”, explica Cleyson Silva, Supervisor de manutenção de Via Permanente

Segundo ele, as informações levantadas nas inspeções ajudam a avaliar a situação encontrada, definir a prioridade dos reparos e fazer as correções necessárias antes que o problema afete a rotina dos clientes.

“Na inspeção, a gente procura qualquer defeito que possa impactar a vida dos nossos clientes e a operação. Os dados servem para a gente avaliar a criticidade e tratar o problema para não gerar impacto no dia a dia.”

O cliente também faz parte desse cuidado

Quando o trem chega à estação, algumas atitudes simples ajudam a diminuir riscos e também evitam problemas para quem está viajando.

Esperar atrás da faixa de segurança, deixar quem está no trem desembarcar antes de entrar, prestar atenção no vão entre a composição e a plataforma e não segurar as portas estão entre as orientações dadas pelas equipes.

Palloma Soares, Agente de Segurança, chama atenção para alguns atos de segurança por parte de clientes que se repetem no dia a dia das estações.

. “Um dos mais comuns é caminhar mexendo no celular. Também vemos clientes descendo a escada sem usar o corrimão, correndo para pegar o trem ou esperando depois da faixa amarela.”

Segundo ela, a faixa marca justamente o limite de segurança na plataforma. “Quando você ultrapassa, já está se colocando em risco.”

Por isso, a recomendação é aguardar sempre atrás da faixa amarela a chegada do próximo trem.

Nas escadas, a recomendação é usar o corrimão e deixar o lado esquerdo livre. Na plataforma e no embarque, atenção ao movimento ao redor também faz diferença.

Quase 2.300 câmeras acompanham as duas linhas

A segurança também passa por uma estrutura de monitoramento que funciona o dia inteiro.

As Linhas 8 e 9 têm quase 2.300 câmeras, distribuídas pelas estações, subestações e trechos de via. A operação conta ainda com 732 Agentes de Atendimento e Segurança, além de profissionais de monitoramento, supervisores e outras equipes que trabalham 24 horas por dia.

Parte das câmeras utiliza recursos de inteligência artificial capazes de identificar situações fora do padrão e emitir alertas para as equipes. Entre elas estão invasões de áreas restritas, acesso indevido à via e furtos de componentes.

As imagens são acompanhadas pela área de Gestão e Análise de Imagens, que monitora estações, vias, sensores e alarmes e ajuda a direcionar as equipes quando alguma situação precisa de resposta.

A presença dos profissionais nas estações também aparece na pesquisa com os clientes. No levantamento de outubro de 2025, o indicador relacionado à presença de agentes teve aumento superior a 25% na satisfação.

Um olhar de cima

Os drones ampliam esse monitoramento para trechos extensos e pontos de difícil acesso.

Kaio Paes, um dos agentes treinados para operar os equipamentos, explica que os drones são usados para identificar situações na via e apoiar as equipes de segurança.

“A gente utiliza bastante o drone para identificar pessoas e furtos em via. Assim, consegue apoiar as equipes de segurança e contribuir para uma atuação mais segura.”

Os equipamentos também podem trabalhar à noite. Além de gravar imagens, têm câmera térmica e modo infravermelho.

“À noite, ele consegue captar calor e medir temperatura. Se houver, por exemplo, um incêndio em via, conseguimos passar essa informação em tempo real para o Centro de Controle e apoiar a atuação das equipes”, conta Kaio.

As Linhas 8 e 9 contam atualmente com dois drones. Eles têm câmeras de alta definição, autonomia de voo de quase 50 minutos e recursos de inteligência artificial para ajudar na detecção de pessoas e veículos.

Tecnologia ajuda, gente faz a diferença

Câmeras, sensores, drones e sistemas ajudam as equipes a enxergar mais e chegar mais rápido onde é necessário. Mas boa parte da segurança continua dependendo das pessoas que estão nas estações, nas vias e nos centros de monitoramento.

A ViaMobilidade conta ainda com um pelotão feminino de segurança formado por 12 agentes, que atua em rondas, apoio à operação, orientação aos clientes e situações que pedem um atendimento mais próximo.

Para Palloma Soares,  Agente de Atendimento e Segurança das Linhas 8 e 9, a presença das mulheres também reforça essa atuação: “O Pelotão Feminino é uma equipe de atuação real, preparada e presente na rotina da operação. Fazer parte desse grupo é mostrar que lugar de mulher também é na linha de frente.” Para quem embarca todos os dias, segurança aparece em coisas bem concretas: ter uma equipe por perto quando precisa de orientação, encontrar a plataforma monitorada, conseguir entrar e sair do trem com tranquilidade. Para isso, o trabalho começa muito antes de a composição chegar à estação.

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