Cuidados com a fauna silvestre da cidade de São Paulo

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Conheça o trabalho desenvolvido pela unidade da Divisão da Fauna Silvestre (DFS) e entenda a sua importância na conservação da biodiversidade animal

A Divisão da Fauna Silvestre (DFS), da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SVMA), é responsável pelos assuntos relacionados à gestão e proteção dos animais silvestres de vida livre que habitam a cidade. Por meio da gestão do Centro de Manejo e Conservação de Animais (CeMaCAS), considerado um dos maiores centros de manejo da América Latina, localizado no Refúgio de Vida Silvestre – RVS Anhanguera, na zona norte da capital, realiza o atendimento médico-veterinário e biológico dos animais silvestres do território.

São diversos os motivos que podem levar um animal até lá, questões de saúde ou comportamentais que impeçam a sua sobrevivência na natureza, orfandade de filhotes, ou apreensão em ações de combate ao tráfico e posse irregular. Além disso, o CeMaCAS também é responsável pela promoção de estudos e pesquisas científicas e documentação das espécies atendidas.

“O maior objetivo é a conservação das espécies e de suas populações, além de promover a importância da proteção da vida selvagem e de seu habitat natural. Tudo isso prezando pelo bem-estar dos animais que são atendidos pela Divisão’’, explica Sérgio Novita, diretor da Divisão da Fauna Silvestre (DFS).

O principal trabalho desenvolvido no local é o atendimento clínico, reabilitação e reintrodução dos animais vitimados por acidentes, maus-tratos e tráfico. Desde 2017, cerca de 60 mil animais foram atendidos pela DFS, sendo 8.484 só em 2023. Após o processo de tratamento, 9.000 animais já foram reabilitados desde o início da série histórica. Foram devolvidos à natureza 34% dos animais atendidos (18.000) e quase 1% foi destinado a cativeiros (450).

PASSO A PASSO DO TRATAMENTO

Na triagem inicial, ocorre a identificação da espécie, avaliação e levantamento da origem e histórico de cada indivíduo, que chegam ao CeMaCAS através de autoridades ambientais, organizações de proteção animal ou pelas mãos dos munícipes. Após esta etapa, ocorre a avaliação clínica pela equipe responsável por todo o tratamento, que pode envolver cuidados de ferimentos, administração de medicamentos e até procedimentos cirúrgicos. O Centro também conta com um laboratório de análises clínicas, especializado em animais silvestres, onde são realizados exames detalhados para auxiliar no diagnóstico completo para cada caso.

“O CeMaCAS conta com uma equipe multidisciplinar formada por 37 profissionais altamente dedicados e especializados que trabalham de forma colaborativa, unindo esforços em prol dos animais recebidos. Essa abordagem ampla garante que cada animal seja atendido de maneira abrangente e que todas as suas necessidades, desde cuidados médicos, nutricionais, reabilitação e posterior soltura, sejam tratados de maneira eficaz”, complementa o diretor.

Após o tratamento médico inicial, os animais passam por um período de reabilitação. Esse processo pode envolver diversas etapas – dependendo da gravidade de cada caso – como a reintrodução gradual à vida silvestre, o desenvolvimento de habilidade de caça e a socialização com animais da mesma espécie.

Depois do término da etapa de reabilitação, ocorre a soltura, que trata da devolução do animal à vida livre, sendo a principal meta do CeMaCAS. Ela ocorre quando os animais estão preparados para a sobrevivência por conta própria em seu habitat natural. Os animais considerados aptos são encaminhados para Unidades de Conservação, Parques ou Áreas Verdes cadastradas e distribuídas por todo o município, sempre respeitando as particularidades de cada espécie e seu local de ocorrência natural. Nos casos de espécies que não são naturais do município, ocorre a repatriação, que é o encaminhamento dos animais para soltura em suas áreas de ocorrência natural, sempre em parceira com outros Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) pelo Brasil. Entretanto, o os cuidados não acabam por aí. Os trabalhos de levantamento das espécies da fauna das áreas verdes do município e de monitoramento pós-soltura são de extrema importância para entender e justificar o processo de reabilitação, garantindo o bem-estar dos animais atendidos. Além disso, o Centro também mantém registros detalhados de todos os animais que passam por lá, incluindo dados sobre sua origem, tratamento, evolução e local de soltura.

“Mais de 500 espécies de animais já passaram pelo CeMaCAS, entre elas, espécies consideradas mais vulneráveis quando falamos de conservação. É o caso, por exemplo, dos bugios que entraram em um enorme processo de perda local ocasionado pelo surto de febre amarela que ocorreu entre 2017 e 2018, e também das onças-pardas que estão vulneráveis principalmente por causa da caça e perda do seu habitat”, finaliza Sérgio.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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