Presidente do Centro das Tradições de Santo Amaro explica as ações feitas em prol do bairro durante a pandemia

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De acordo com o Dr. José Carlos Bruno, presidente do Cetrasa, o “Movimento pela Reabertura do Teatro Paulo Eiró” avançou devido uma nova licitação da Prefeitura para reforma definitiva das instalações Teatro que estão paradas desde 2019. Além disso, o Cetrasa busca esforços na Subprefeitura Santo Amaro contra ameaças de depredação da estátua do Borba Gato, símbolo da região


Por: Cetrasa
Dr. José Carlos Bruno

Embora a pandemia e as determinações de isolamento social decorrentes do Covid-19, tenham causado uma série de incertezas para todos, nos parece que o mundo está retomando as suas atividades.

Em entrevista, o presidente do Cetrasa – Centro das Tradições de Santo Amaro, Dr. José Carlos Bruno, contou de que forma a pandemia impactou as atividades da entidade e quais serão as perspectivas para o futuro.

  • Como foram esses tempos de pandemia para o Cetrasa?

Não foram bons. Como todos os setores da sociedade, tivemos que permanecer em quarentena e isto acabou prejudicando uma série de projetos e de eventos que estavam sendo programados, já que o último grande evento realizado pela entidade foi o “Pré-carnaval” com o lançamento do Bloco “Botina Amarela” e a apresentação do cantor Cláudio Fontana em fevereiro deste ano, um evento bonito que contou com vários apoiadores, dentre os quais os vereadores Gilberto Natalini e Zé Turin. Porém, ninguém poderia imaginar que a chegada de um vírus fosse modificar a vida das pessoas no mundo inteiro.

  • Todos os trabalhos foram paralisados? 

A sua grande maioria. Estávamos programando para o mês de março a pintura e remontagem do espaço de exposições permanentes do Museu de Santo Amaro, para que começasse a ser aberto para a visitação de escolas públicas e particulares, que é também um dos objetivos da nossa gestão. Pois, entre os meses de novembro de 2019 e fevereiro de 2020, o espaço onde se encontra o acervo passou por obras de manutenção e reforma, de sorte a permitir inclusive a circulação de portadores de necessidades especiais. Obras que ocorreram, graças a uma emenda parlamentar proposta pelo vereador Gilberto Natalini, que destinou recursos, enviados à Subprefeitura de Santo Amaro. Contudo, quando for autorizada a reabertura definitiva de todos os setores da sociedade, daremos sequência a pintura e remontagem do espaço de exposições.

  • Nesse período houve algum fato importante que o Cetrasa tenha participado?

Em meados de abril, quando a quarentena estava sendo cumprida amplamente na cidade de São Paulo, acentuando-se a necessidade de utilização de equipamentos de proteção individual para os profissionais da saúde que estão na linha de frente da pandemia do coronavírus, o Cetrasa, em parceria com o “Projeto Gama” (representado pelo Coronel Luiz Pesce de Arruda), doaram 300 MÁSCARAS TIPO “FACE SHILD” EPI para a Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro.

  • E como está a questão do Teatro Paulo Eiró?

O “Movimento pela Reabertura do Teatro Paulo Eiró”, em que o Grupo Sul News está entre os parceiros, mesmo com a pandemia, caminhou de forma positiva e avança para uma solução definitiva. Todos sabem, porém penso que sempre é bom recordar, que no dia 28 de março de 2019, o Teatro Municipal Paulo Eiró foi fechado, em virtude de problemas na sua cabine primária de força. No início do mês de abril daquele ano, o Cetrasa, ao lado da Distrital Sul da ACSP, iniciou um “Movimento pela Reabertura do Teatro Paulo Eiró”. 

Foi elaborado um documento, entregue ao prefeito Bruno Covas, no dia 05 de abril 2019, onde ele se comprometeu pessoalmente a adotar as medidas necessárias para que os reparos fossem realizados. Na ocasião, se encontravam presentes servidores e lideranças de entidades, como o Superintendente da Distrital Sul da ACSP, Antonio Sousa, que também abraçou o movimento; a Subprefeita de Santo Amaro, Dra. Janaina Lopes de Martini; e o vereador Rodrigo Goulart, que de pronto também se colocou à inteira disposição do Cetrasa, da mesma forma que o vereador Zé Turin. O manifesto foi assinado por várias entidades, dentre as quais, o CIESP-FIESP, o Rotary Club Borba Gato, o Conselho de Segurança de Santo Amaro, personalidades e defensores da arte e da cultura da região, e contou com o apoio dos veículos de comunicação locais, dentre os quais: a Revista Ideias da Sul, o Jornal Notícias da Região e o Grupo Sul News.

De lá pra cá, o Cetrasa veio acompanhando passo a passo os procedimentos destinados a solução do tema. Até que, no dia 23 de março de 2020, data em que se celebrou o 63º aniversário de inauguração do Teatro, o Cetrasa foi informado, pela Coordenação de Teatros da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, que o Teatro deveria ser reaberto no final daquele mês, para funcionar apenas nos finais de semana, com as apresentações da Orquestra Filarmônica de Santo Amaro. Mas, em decorrência da pandemia e das normas de isolamento social, a reabertura não ocorreu.

Contudo, no dia 08 de junho de 2020 fui informado pela Coordenadoria de Teatros da Secretaria de Cultura da Prefeitura, que após a realização de nova licitação, haverá reforma definitiva da cabine primária de força, com o objetivo de recuperar as condições de energização do Teatro.

Desta forma, cumpridas as formalidades necessárias de caráter administrativo, as obras serão iniciadas e realizadas de forma conclusiva, solucionando definitivamente o problema que ocasionou a suspensão das atividades culturais e o fechamento do teatro.

Gerando a perspectiva de que, assim que forem retomadas as atividades nos equipamentos culturais da Prefeitura, o Teatro Municipal Paulo Eiró, possa ser reaberto em caráter definitivo, para alegria de toda a população de São Paulo e em especial para a de Santo Amaro, que terá de volta e em pleno funcionamento um dos patrimônios culturais da nossa região, demonstrando assim que a somatória de esforços da sociedade civil organizada, sempre produzirá bons efeitos, se todos tiverem bons olhos para a coletividade!

  • Como o Cetrasa está observando essas ações e protestos que estão ocasionando a derrubada de estátuas em diversos países, alcançando também vários monumentos em São Paulo e até mesmo a estátua do bandeirante Borba Gato? O senhor acha que a obra do artista plástico Júlio Guerra corre risco?

O Cetrasa, enquanto entidade defensora da história, das raízes, das manifestações culturais, folclóricas, dos patrimônios culturais e das tradições, por meio de seus integrantes, não vê com bons olhos essas ações travestidas em manifestações que seguem para posturas radicais e que acabam levando ao vandalismo, como foram as derrubadas das estátuas de Cristóvão Colombo no Estado norte-americano da Virginia (no último dia 10) e da estátua de um traficante de escravos em Bristol na Inglaterra (no último dia 07).

Penso que ninguém tem o direito e o poder de alterar a história, a verdade dos fatos, fazendo valer a sua posição, independentemente de outras opiniões. As ameaças de depredação, mutilação e até mesmo de derrubada de tantos outros monumentos, no Brasil e no mundo, causa-nos grandes preocupações.

Fatos negativos da história, que são lembrados ou representados por estátuas e monumentos, ou são exibidos em museus, não podem ser apagados simplesmente. Devem permanece, para que novas gerações reflitam e não venham a repeti-los.

A livre manifestação é um direito legal, previsto na Constituição Federal Brasileira, porém, deve ser exercitada dentro de limites que não ultrapassem o império da legalidade. A destruição total ou parcial de patrimônio público é ato contrário a Lei, é previsto como crime no Código Penal brasileiro.

Quanto a estátua do bandeirante Borba Gato, como bem me disse em conversa por telefone, o professor e santamarense Carlos Antonio Figueiredo, “não estamos aqui a discutir o historicismo”. É nosso pensamento que, o patrimônio cultural imaterial é que está em jogo.

Ele sim, que precisa ser protegido e preservado, a escultura de 20 toneladas, revestida de pedras coloridas de basalto e mármore vindas de diversos cantos do país, e os mármores do rosto que vieram de Portugal, além de ser sustentada por trilhos de bonde. Respeito à obra, respeito ao artista e aos seus familiares, que certamente sentem muita tristeza diante destas manifestações.

Por isto, o Cetrasa, convicto que medidas imediatas seriam adotadas, enviou ofício para a Subprefeita de Santo Amaro, a Dra. Janaina Lopes de Martini, solicitando que fosse realizado via GCM, policiamento ostensivo e preventivo no local da obra, evitando assim riscos de ações danosas, bem como que comunicasse ao Departamento do Patrimônio Histórico (que é responsável pela preservação de esculturas e estátuas na cidade), para adoção de providências destinadas a protegê-la.

Diante dessa postura, também recebemos muitas manifestações e apoio, de pessoas preocupadas com a preservação da estátua; São paulistanos, santamarenses, moradores da região, professores, entidades, associações, como a Sociedade Veteranos de 32 – MMDC, na pessoa do seu presidente, Dr. Carlos Romangnoli; como a Associação Santamarense dos Romeiros do Senhor Bom Jesus de Pirapora, por meio de sua presidente, a Sra. Angélica G. Luz; pelas redes sociais do Cetrasa; como o vereador Rodrigo Goulart;  o vereador Gilberto Natalini, que me telefonou para apoiar e viabilizar as reivindicações da entidade para se que opere a proteção e a preservação da escultura. Pessoas que reconhecem a importância de se preservar a rica história de Santo Amaro.

E neste caso, “o patrimônio cultural imaterial que precisa ser protegido e preservado”, a escultura que foi feita por Júlio Guerra, um dos filhos mais ilustres da cidade de Santo Amaro, que até hoje é conhecido e reconhecido nacional e internacionalmente, da mesma forma que é, e goza de respeito, a estátua da “Mãe Preta”, que foi inaugurada em 23 de janeiro de 1955, como parte das comemorações de encerramento do IV centenário de São Paulo, no Largo do Paissandu, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, e que em 2004, com base em pedido encaminhado pela Irmandade Rosário dos Homens Pretos e da comunidade local, foi tombada pelo CONPRESP que reconheceu o seu valor cultural para cidade de São Paulo.

Enfim, mesmo em tempos de pandemia, seguimos firmes nos propósitos que tiveram início com a nossa gestão, e assim o faremos com a retomada das atividades, ou seja, soerguendo a bandeira de “Ideias novas por tradições antigas”!


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