Mostras de Verônica Spnela e Ana Elisa Murta exploram a transformação dos minerais em cor, linguagem e expressão artística
A partir de 25 de abril de 2026, a Casa de Metal Espaço Cultural, no Campo Belo, em São Paulo, apresenta simultaneamente as exposições “Alquimia da Terra: a origem mineral da expressão humana”, de Verônica Spnela, e “Geopoéticas da Matéria”, de Ana Elisa Murta. As duas mostras partem de um mesmo eixo — o pigmento — para investigar como a matéria mineral atravessa a história da arte e se reinventa na produção contemporânea. A programação é realizada pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Instituto Cultural Quattro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
Em “Alquimia da Terra”, Verônica Spnela propõe uma leitura da história da arte a partir da origem das cores. Em vez de focar em estilos ou movimentos, a artista organiza a exposição a partir dos materiais que tornam a pintura possível, evidenciando como a disponibilidade de minerais influenciou escolhas estéticas ao longo do tempo. Instalações interativas conduzem o público por diferentes escalas — do território à composição química —, revelando o percurso que transforma rochas em pigmento. “Quando você entende de onde vem a cor, muda também a forma de olhar para a pintura”, afirma Spnela.
Já em “Geopoéticas da Matéria”, Ana Elisa Murta investiga o pigmento como matéria viva e contemporânea. A artista utiliza rejeitos minerais para desenvolver tintas próprias e construir obras que evidenciam textura, densidade e origem dos materiais. O que antes seria descartado retorna como linguagem artística, ampliando as possibilidades da pintura e do objeto. “Neste processo, a tinta deixa de ser neutra. Ela carrega um percurso, uma origem”, diz Murta.
As duas exposições se aproximam ao colocar o pigmento no centro da narrativa, mas seguem caminhos distintos. Enquanto Spnela evidencia como os minerais moldaram a produção artística ao longo da história, Murta demonstra como esses mesmos materiais podem ser ressignificados no presente, inclusive a partir de práticas ligadas à sustentabilidade.
Para Flavio Enninger, diretor do Instituto Cultural Quattro, responsável pela Casa de Metal, iniciativas como esta reforçam o papel do espaço como mediador entre conhecimento técnico e expressão cultural. “A Casa de Metal nasce com a premissa de aproximar o público de temas que, muitas vezes, parecem distantes, como a metalurgia, a mineração e os materiais. Quando a arte entra como linguagem, esse conhecimento se torna acessível”, completa.
Ao reunir as duas mostras, a Casa de Metal Espaço Cultural propõe um percurso que conecta passado e presente por meio da matéria, convidando o público a perceber que a cor, antes de ser imagem, é resultado de processos físicos, químicos e territoriais que continuam em transformação. As mostras ficam em cartaz até o dia 18 de dezembro de 2026.
Serviço:
Exposições | Alquimia da Terra e Geopoéticas da Matéria
Local: Casa de Metal Espaço Cultural
Endereço: R. Antônio Comparato, 218 – Campo Belo, São Paulo, SP
Abertura: 25 de abril, às 14h
Visitação: de 28 de abril a 18 de dezembro de 2026, das 9h às 18h
Entrada gratuita
Classificação: Livre
Agendamentos: cris@casademetalcultural.com.br
SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br
