Câmara de São Paulo relembra trajetória de JK em ato solene

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Solenidade na Câmara de São Paulo fez um resgate histórico sobre os verdadeiros fatos da morte de JK Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA

‘50 Anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica’ foi realizado na segunda-feira (10) no Plenário 1º de Maio

A Câmara Municipal de São Paulo realizou na segunda-feira (10) o ato solene alusivo aos “50 Anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica”. O objetivo foi oferecer um espaço para a apresentação de estudos, documentos e reflexões que contribuem para ampliar a compreensão histórica da época, valorizando o diálogo respeitoso e a pesquisa fundamentada.

A solenidade foi aberta pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Ricardo Teixeira (UNIÃO). Ele afirmou que o Parlamento da capital, como espaço democrático de representação popular, tem entre as atribuições incentivar a troca de ideias, preservar a memória e promover o debate público sobre temas de relevância na sociedade.

“É nesse espírito que nos reunimos hoje para recordar os 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, figura de grande importância na história do Brasil, proporcionando um momento de reflexão e de apresentação de diferentes estudos e perspectivas sobre esse período histórico”, disse o presidente da Câmara Municipal.

Após a abertura da cerimônia, Teixeira passou a presidência do evento para o ex-vereador de São Paulo, Gilberto Natalini. Ele foi um dos presidentes da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, criada em 2012, e encerrada em dezembro de 2014. O relatório final foi apresentado por Natalini. O documento trouxe de forma pioneira a informação de que a morte de JK foi um atentado.

“Nós nos debruçamos sobre a morte de JK. Foi o principal trabalho da comissão. A investigação foi profunda e abrangente. Nós levantamos 114 indícios, provas,  e suspeitas de que JK morreu ‘matado’. Até então, a versão era que o JK morreu em acidente. Nós provamos que não foi acidente, foi uma morte provocada por atentado político”, ressaltou Gilberto Natalini.

O ex-parlamentar disse ainda que a partir de agora é possível afirmar que a morte de JK foi provocada. “Agora temos a confirmação. Vão mudar a certidão de óbito do Juscelino, admitindo que ele morreu em um atentado político na Via Dutra”.

À época assessor da Comissão da Verdade, o jornalista Ivo Patarra disse que um dos motivos do atentado contra Kubitschek foi a aproximação das eleições para presidente do Brasil daquele período. “Ele seria um candidato fortíssimo nas eleições presidenciais de 1978. Ele era muito popular e respeitado no Brasil. Então, dois anos antes, o regime militar eliminou JK. Eu diria que foi o crime mais grave de toda ditadura militar, pelo que ele representava, pela popularidade dele, porque ele seria, dentro das condições normais, o presidente da República em 1978. Foi um crime covarde”.

A historiadora e responsável pelo relatório sobre a morte de JK, Maria Cecília Adão, destacou os indícios que levaram à conclusão de que a morte do ex-presidente foi um atentado. Ela falou que foi um trabalho extenso, com aproximadamente seis mil páginas em anexo e mais de 1,2 mil páginas de documentação.

“Temos elementos que configuram fraudes que foram realizadas no período da investigação. Esse conjunto comprova como a ditadura agia naquele período, fraudando laudos, não fazendo os exames necessários, mudando informações, alterando dados. Esse conjunto comprova essas fraudes que foram fabricadas para que houvesse a impressão ou uma versão de que houve um acidente e não um acidente causado”, disse Maria Cecília.

Antes do evento, em visita à presidência da Casa, Nilmário Miranda, ex-ministro de Direitos Humanos e Cidadania do Brasil, comentou sobre a solenidade. Ele lembrou que a morte de JK completa 50 anos no dia 22 de agosto. Miranda destacou que Kubitschek foi importante para a cidade de São Paulo.

“Ele trouxe a indústria automobilística para o país e a maioria se instalou em São Paulo. Ninguém melhor do que a Câmara Municipal de São Paulo, maior instância municipal legislativa do país, para resgatar e contar a verdadeira desse grande brasileiro”, disse Nilmário Miranda.

Ainda durante a cerimônia, foi exibido o minidocumentário “50 Anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica”, realizado pela Rede Câmara São Paulo, relembra a atuação da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog. O documentário pode ser visto no canal do Youtube da Câmara Municipal. 

O Centro de Memória da Câmara Municipal de São Paulo também lançou uma nova exposição: “JK, um paulista nascido em Minas”. Instalada no térreo e no 1° andar do Palácio Anchieta, a mostra tem imagens e informações sobre a história de Juscelino Kubitschek em diferentes momentos da vida pública dele. 

A exposição está aberta para visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados durante o programa Câmara Aberta, das 9h às 17h.

A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog também ganhou um hotsite, o https://www.saopaulo.sp.leg.br/comissaodaverdade/ . A página reúne a trajetória e os resultados do trabalho dos vereadores de São Paulo. 


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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