Atletas e ex-atletas protestam contra privatização do Ginásio do Ibirapuera

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O governador João Doria denominou o Ginásio do Ibirapuera como “velho e ultrapassado” ao apresentar projeto que prevê arena esportiva com capacidade para 20 mil pessoas (já que atualmente cabem 10 mil), além de um espaço semelhante a um shopping, com a implantação de lojas, área de alimentação, pista de skate e playground. O projeto também prevê a construção de um hotel


No último domingo (6), um grupo de atletas, ex-atletas e representantes de federações esportivas fez um protesto em defesa do esporte e contra a proposta do Governo de SP de privatizar o Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, que inclui o Ginásio, o Estádio Ícaro de Castro Mello, o Conjunto Aquático Caio Pompeu de Toledo, o Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro e o Palácio do Judô.

O grupo se reuniu em frente ao Ginásio do Ibirapuera e reclamou da falta de diálogo e abertura do Governo do Estado em receber as entidades esportivas para discutir as propostas da concessão.

“Todos os medalhistas do Brasil já passaram por aqui um dia. Nossa batalha é para que não aconteça essa privatização. A gente quer o complexo do jeito que ele tem que ser e ele tem que ser reformado para a gente, e não virar shopping”, disse Maurren Maggi, ex-saltadora e velocista, vencedora da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.

Nas redes sociais, ao apresentar o projeto de concessão “Ibirapuera Complex”, o governador João Doria denominou o Ginásio do Ibirapuera como “velho e ultrapassado” e disse que “São Paulo vai ganhar a mais moderna arena de esportes e entretenimento da América Latina”.

O projeto prevê que seja construída uma arena esportiva com capacidade para 20 mil pessoas (já que atualmente cabem 10 mil), além de um espaço semelhante a um shopping, com a implantação de lojas, área de alimentação, pista de skate e playground. O projeto também prevê a construção de um hotel.

De acordo com o Governo de São Paulo, o Complexo gera um gasto de R$ 18 milhões por ano com manutenção, enquanto a arrecadação é de R$ 2,5 milhões, aproximadamente. Com a concessão, pelo período de 35 anos, o Complexo vai garantir R$ 220 milhões em melhorias.

“Estão dizendo que aqui tem muito gasto e o governo está gastando. Bom, a função do governo também é investir em várias áreas como o social e o esporte, que faz parte do patrimônio cultural do nosso país. Na verdade, isso aqui é um grande negócio imobiliário que vão desalojar o esporte para grandes eventos e shows de estrelas do rock, que vai ser um grande polo gerador de tráfego e vai trazer um trânsito incrível. E acho que os moradores do entorno deveriam se mobilizar porque eles não têm noção do transtorno que eles vão ter quando isso aqui estiver pronto”, disse Aurélio Miguel, medalhista olímpico do Judô, ouro em Seul em 1988 e bronze em Atlanta, em 1996.

O pedido de tombamento do Complexo foi feito ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), que rejeitou a proposta. Portanto, prédios históricos do Complexo podem ser derrubados para dar lugar ao novo projeto.

Se o Condephaat descartou a preservação do local, o Ministério Público de São Paulo agiu e já pediu informações sobre o projeto ao Governo do Estado e informou que está analisando possíveis restrições legais que possam impedir a construção dos empreendimentos.

O Governo de São Paulo minimizou a manifestação afirmando que “lamentavelmente trata-se de um protesto político travestido de reivindicação de esportistas”. Também negou a construção do shopping e afirma que o local vai manter sua principal função: esportiva.

“A construção da arena multiuso proporcionará a São Paulo um espaço moderno e adequado para sediar eventos esportivos das mais diversas modalidades, o que trará mais visibilidade ao segmento, além de proporcionais mais empregos e renda na região. O Governo de São Paulo, portanto, esclarece que é falsa a informação de que será instalado um shopping no local. O custo da manutenção do complexo para o estado é de cerca de R$ 15 milhões por ano, onerando os cofres públicos, operando com R$ 10 milhões de prejuízo. Com a proposta, os gastos para sua operação serão assumidos pelo concessionário, que vai investir R$ 1 bilhão nas obras e na manutenção do Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães. A concessão vai atrair, ainda, melhorias ambientais, viárias e urbanísticas”, afirmou o Estado.


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

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