Abandono de idosa e questões de raça guiam o espetáculo “Elefante”

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Cena da peça “Elefante”

Com sessões gratuitas no teatro Paulo Eiró, espetáculo do Grupo Entre Atlânticas convida o público para debater esses dilemas sociais

O que escolhemos esquecer e o que a nossa mente apaga sem pedir permissão? Em “Elefante”, espetáculo do Grupo de Pesquisas Entre Atlânticas com sessões gratuitas no teatro Paulo Eiró, de 16 a 19 de julho, a vulnerabilidade na terceira idade é o estopim para um drama recheado de suspense, revelações e denúncia social.

Com dramaturgia e direção de Beatriz Nauali, a obra convida o público a um mergulho nas complexas dinâmicas de uma família rachada. A narrativa se desenrola durante o aniversário de 70 anos de Célia, uma senhora branca com Alzheimer que vive em total situação de abandono. A rotina de solidão é quebrada pela visita do neto, que trava uma luta frustrante contra os próprios parentes, que preferem ignorar a matriarca. É nesse cenário de negligência que o jovem se depara com Qayin, um vizinho que se compadece da vulnerabilidade da idosa e a ajuda com as compras da casa.

Em meio a esse ambiente de tensão, o espetáculo traz à tona uma presença misteriosa que paira no ar: Xhosa, uma mulher preta que trabalhou na residência. A partir de suas memórias e apagamentos, uma teia que envolve o racismo estrutural, as dinâmicas do trabalho análogo à escravidão e a invisibilidade social é apresentada ao público de forma contundente, questionando o verdadeiro papel de mulheres que historicamente carregam o peso do trabalho em milhares de lares do Brasil. 

No palco, o drama atua como um pretexto para esmiuçar dinâmicas de opressão, materializadas na presença de quatro atores: duas mulheres (uma preta e uma branca) e dois homens (um preto e um branco). A montagem mergulha nas camadas de complexidade que sustentam essas relações, discutindo a lógica do lucro, o apagamento de culturas e a ancestralidade como um motor de resistência.

“O espetáculo pede a radicalização do movimento antirracista, além do fortalecimento das frentes que combatem situações de exploração e violação dos direitos da população negra”, enfatiza a diretora e dramaturga Beatriz Nauali.

Serviço:

Elefante

Classificação: 14 anos

Local: Teatro Paulo Eiró – Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro

Quando: 16 a 19 de julho (quinta a sábado às 20h; domingo às 19h)

Ingressos gratuitos disponíveis na plataforma Sympla ou retirada 1 hora antes na bilheteria do teatro

A sessão do 17/7 contará com intérpretes em Libras


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br 

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