85 anos do Lar das Crianças: uma história de gratidão e compromisso social

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Atualmente, 500 crianças são contempladas com acolhimento e formação de vida

Em 1937, a região mais alemã de São Paulo abriu um brilho de esperança para acolher refugiados judeus vítimas do nazismo na Europa. 86 anos depois, o Lar das Crianças da CIP (Congregação Israelita Paulista) mantém forte apoio às crianças em situação de vulnerabilidade social da Zona Sul em uma eterna gratidão de solidariedade.


Santo Amaro possui ricas histórias pelos monumentos e esquinas que compõem o distrito, sendo passados de geração em geração, mantendo vivo todos aqueles legados que aqui se instalaram e perpetuarão.

Uma destas histórias, os mais antigos podem já conhecer, mas visitando o espaço, foi constatado que poucas pessoas atualmente do Alto da Boa Vista e região conheçam, de fato, o Lar das Crianças, espaço que presta atendimento socioeducacional para 500 crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Santo Amaro é muito conhecido pela vasta colônia alemã que aqui vive, o jornalista do Grupo Sul News, Matheus Laube, por exemplo, é um dos milhares de exemplos de descendência alemã por nossa Zona Sul, e mesmo assim há uma história que merece ser passada e inspirada por todas as gerações, de todas as classes, religiões, nacionalidades ou raça!

Na manhã da segunda-feira (14), o Grupo Sul News visitou a sede do Lar das Crianças da CIP, localizado em frente à Catedral Anglicana, da Rua Comendador Elias Zarzur, 1254, conhecer uma história de 86 anos acolhendo crianças e transformando a vida de inúmeras famílias.

A história começa em 1937, como conta o colaborador Douglas Ramos, o Lar das Crianças se originou para atender crianças judaicas refugiadas do Nazismo, que ocorria na Alemanha e se espalhava por outros países da Europa.

“Nasceu primeiro com esse intuito. Então as crianças ficavam no Lar durante a semana e iam para a casa dos pais nos finais de semana, enquanto as famílias se estabeleciam e aprendiam a língua aqui em São Paulo”, explicou Douglas.

Conforme as famílias foram se adaptando e as guerras foram se acabando no decorrer dos anos, as demandas por refugiados judeus foram diminuindo. “A estrutura é muito grande, o Lar das Crianças até hoje representa o braço social da Congregação Israelita Paulista como retribuição para a sociedade brasileira pela acolhida, hoje voltado para o atendimento – no modelo de contraturno escolar – de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social da Zona Sul de São Paulo”, revela Douglas.

Presente no mesmo endereço há 70 anos, a história precisa ser passada para as novas gerações que estão ocupando o populoso mercado de trabalho na região, ou aqueles descendentes de famílias que aqui habitam nas redondezas.  “As pessoas aqui no entorno não conhecem. Acham que é uma escola ou extensão da Catedral Anglicana. Queremos reaproximar o bairro conosco.”

São quatro programas sociais que funcionam em contraturno escolar sendo eles: Centro de Convivência Infantil (CCI), dos 4 aos 6 anos; Centro de Convivência de Adolescentes (CCA), dos 6 aos 14 anos. Passaporte para a Vida, dos 15 até o encaminhamento profissional. Programa Integrar Para Famílias e jovens do entorno. 

“Existem muitos incentivos, como Judô, violão, informática, estimular o raciocínio lógico, leitura e escrita”, explicou Douglas. Com apoios que vão desde atividades socioeducacionais até o fornecimento de bolsa de estudos para escolas particulares, cursos técnicos e graduação, a instituição beneficia mais de 500 crianças e adolescentes, dos 4 até os 24 anos de idade, provenientes de mais de 25 comunidades periféricas da Zona Sul.

“São vários profissionais, desde pedagogos até assistência social e psicólogos, não recebemos só as crianças, recebemos as famílias. A gente entende que o Lar está localizado no âmbito de assistência social, embora com uma atuação pedagógica também muito forte, a gente acredita que não existe a transformação social das crianças se não tiver o apoio da família”, explica.

Até os dias de hoje, existe uma conexão entre o Lar das Crianças e a comunidade judaica, que ainda tem sua rede de apoio principal dentro da comunidade (voluntárias, doadores e parceiros). Como é o caso da doação do Biodigestor que transforma os resíduos orgânicos das refeições que são fornecidas na organização em gás de cozinha e adubo para horta – uma parceria que foi realizada com o Consulado de Israel e a empresa Homebiogás.

“As águas de chás e cafés e refeições das crianças são aquecidos com esse gás sustentável. Isso impulsionou em colocar a sustentabilidade na rotina, não só das crianças, mas também com a Associação de Amigos do Alto da Boa Vista (SABABV), engajando os moradores em frequentarem mais a sede e fomentarem um vínculo acolhedor com nossas crianças, já que muitos que já passaram por aqui são filhos de pessoas que trabalham nestas casas”, completou.

Existem muitas histórias de transformações de vidas. “Algumas delas incluem do Jeferson Santos, aluno nosso que passou em Música na USP, e voltou para dar aulas de violão. Agora se encontra fazendo intercâmbio na Irlanda. E também da Renata Alves, que estudou na FMU, cursou pós-graduação na Insper, e hoje trabalha em uma empresa multinacional. Mas os cases de sucesso não estão só nos jovens que ocupam cargo de liderança ou se formam em cursos de prestígio, o Lar transforma as vidas de todos que passam por aqui, impactando diretamente na melhoria da renda familiar, no índice de conclusão de ensino médio e superior, todos os atendidos são case de sucesso quando vemos o impacto de nossos serviços nos futuros de nossas crianças e adolescentes, na ampliação das oportunidades que eles passam a ter acesso”, finaliza comemorando e incentivando você, seja judeu, morador da região, ou não, a ajudar o próximo e a conhecer o trabalho da organização! “Só é possível reescrevermos futuros com o apoio das pessoas, parceiros e instituições. Todo mundo pode contribuir de alguma forma, seja com recurso financeiro, voluntariado ou outras frentes, o importante é fazer a diferença!”.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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