
Tecnologia acompanha cérebro de bebês de alto risco em tempo real e identifica crises que podem não apresentar sinais visíveis
O uso de um protocolo de neuromonitorização cerebral contínua reduziu em cerca de 54% o tempo de permanência nas UTIs neonatais da rede municipal de saúde de São Paulo. Implantada em sete hospitais e operacionalizada em uma central de monitoramento, a tecnologia permite acompanhar em tempo real a atividade cerebral de recém-nascidos de alto risco e identificar precocemente alterações neurológicas, inclusive crises epilépticas que podem ocorrer sem manifestações clínicas evidentes.
Desde a implantação do programa, em maio de 2023, até meados de setembro deste ano, 2.646 recém-nascidos foram acompanhados pelo sistema, que já ultrapassou 175 mil horas de neuromonitorização cerebral contínua. Entre os bebês monitorados, 12% apresentaram crises epilépticas, permitindo a intervenção precoce das equipes.
“O monitoramento é capaz de evidenciar situações subclínicas como, por exemplo, as convulsões que são praticamente imperceptíveis nos recém-nascidos”, explica a coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria Municipal da Saúde, Athenê Maria de Marco França Mauro. “Além disso, o tratamento precoce permite que a criança se desenvolva de forma adequada”, acrescenta.
A tecnologia integra o modelo de UTI Neonatal Neurológica Digital (UTI Neon), implantado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) em parceria com a Protecting Brains & Saving Futures (PBSF), empresa brasileira especializada em cuidado neurocrítico neonatal. O sistema conecta as unidades hospitalares a uma Central de Vigilância e Inteligência, que acompanha continuamente e em tempo real a atividade cerebral dos recém-nascidos internados.
O modelo permite que especialistas acompanhem o funcionamento cerebral do bebê durante a internação e auxiliem as equipes assistenciais na identificação precoce de alterações e na definição da conduta terapêutica. O eletroencefalograma contínuo, associado à análise automatizada por inteligência artificial, amplia a capacidade de detectar eventos neurológicos que podem não ser percebidos apenas pela observação clínica.
A importância desse acompanhamento está justamente em uma característica das crises epilépticas neonatais: elas podem ocorrer sem sinais externos evidentes. Assim, mesmo um recém-nascido aparentemente estável pode apresentar atividade convulsiva cerebral.
SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br