Nos 472 anos de São Paulo, uma viagem por histórias pouco conhecidas da cidade

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Episódios esquecidos, curiosidades e fragmentos da história revelam faces surpreendentes da capital paulista

Neste domingo, a cidade de São Paulo celebra 472 anos. Essa história tem início em 25 de janeiro de 1554, quando padres jesuítas rezaram uma missa na aldeia Piratininga (nome pelo qual os indígenas que aqui viviam chamavam a região). De lá para cá muita coisa aconteceu e mudou. A aldeia virou vila, capitania, província até chegar à condição de cidade. Nestas transformações e na correria da vida moderna, muita coisa foi esquecida ou colocada de lado.

Por isso, neste aniversário, recordamos alguns fragmentos da história de São Paulo que valem a pena lembrar, relembrar ou conhecer.

1- Sant’Ana, a primeira padroeira

Antes de São Paulo, a cidade tinha como padroeira Santa Ana (ou Sant’Ana), a avó de Jesus Cristo. A pedido dos portugueses, a santa foi nomeada padroeira em 1782 pelo então Papa Pio VI. Os documentos com essa designação podem ser conferidos no Museu de Arte Sacra, localizado no bairro da Luz, centro.

São Paulo só passou a ser padroeiro da cidade em 2008, após pedido do cardeal arcebispo D. Odilo Scherer ao Papa Bento XV.

2- Bombardeios na capital?

Crédito: Wikimedia

Sim, a capital paulista já passou por bombardeios devido a um motim pouco conhecido e falado, a Revolta Paulista de 1924. A rebelião é considerada uma “revolta esquecida”, já que há poucos estudos e detalhes sobre o movimento. No entanto, é apontada como maior conflito urbano do Brasil e da América Latina.

Em 5 de julho de 1924, um grupo de militares rebeldes de baixa e média patente insatisfeitos com o modo como o país era conduzido, saiu às ruas com o objetivo de derrubar o então presidente da época Artur Bernardes. Eles pretendiam realizar reformas como a implementação do voto secreto. Os militares eram liderados pelo general reformado Isidoro Dias Lopes, contudo o movimento estava desorganizado e foi vencido pelas tropas legalistas do governo federal.

Devido às poucas informações sobre a revolta, é difícil saber os números exatos, mas historiadores acreditam que os 23 dias de conflito deixaram entre 500 mortos, 5 mil feridos, 1.500 edificações destruídas e fizeram com que 700 mil pessoas fugissem da cidade.

Entidades como a Associação Comercial de São Paulo são reconhecidas pela mediação do combate e também por controlar os preços, ajudando a população civil a se manter.

Como consequência do conflito estão a fundação de um estado policial, o movimento tenentista e o acirramento dos ânimos no país da época. Já pela cidade restaram poucos vestígios físicos, ficando apenas a marca de tiro de canhão na chaminé da antiga usina de energia elétrica no bairro da Luz.

3- Fofão

Ônibus Fofão em uma garagem de Snato Amaro
Crédito: Divulgação/Museu do Transporte Público

Jânio Quadros nunca escondeu sua paixão pela cidade de Londres, na Inglaterra. E em seu segundo mandato como prefeito de São Paulo (1986-1988), implantou uma dos símbolos dos ingleses na cidade, o ônibus de dois andares (double decker). Quadros os nomeou de ´Dose Dupla´ e a empresa de transporte de ‘Fofão’, como realmente ficou conhecido pela população.

Apesar do sucesso que fez na época, o double decker enfrentou problemas devido a sua altura de 4,26 metros com dificuldades para circular pela cidade devido a rede de cabeamentos e viadutos e pontes com envergadura baixa. Outro problema é que, no andar de cima, só podia ir sentado e passageiros com mais de 1,70 metros não conseguiam andar sem se curvar. Em 1993, os “Fofões” saíram de circulação.

4- São Paulo uma cidade de ilhas

Reprodução / Bororé ao Mundo

São Paulo não tem praia, mas tem ilhas. A represa Guarapiranga é também local de diversas ilhas, algumas das mais conhecidas são Ilha do Macaco, Ilha das Cabras e Ilha dos Amores. As insulas são pequenas e só podem ser acessadas de barcos. Nas margens da represa, é possível encontrar serviços de transporte que levam até as ilhas para um dia de lazer.

Um pouco mais ao sul da cidade, na represa Billings, encontra-se a Ilha do Bororé, que na verdade configura-se como península, sendo ligada ao município por uma faixa de areia. Conhecida por ações ambientais, Bororé também pode ser uma ótima opção de passeio aos finais de semana.

5- A Colônia do meteoro

Parelheiros e sua extensa área verde.

Créditos: Divulgação/Prefeitura de SP

Há milhares de anos, um corpo celeste (meteoro) atravessou os céus do planeta e chocou-se com a Terra. O ponto em questão era o Bairro de Colônia, em Parelheiros. A colisão formou uma cratera de 3,6 km de diâmetro e 400 m de profundidade. Ao longo dos anos, o solo do buraco acumulou informações sobre o clima e a vegetação da cidade nos últimos milênios, sendo hoje considerada uma área arqueológica.

6- Piratininga terra indígena

Wikimedia

Antes dos portugueses, São Paulo (ou Piratininga) era terra indígena com diversos povos. Mas ao contrário do que se pensa, São Paulo ainda é lar dos povos originários e no extremo sul da capital, em Parelheiros, encontramos as aldeias indígenas Barragem, Krukutu e Jaraguá.

7- Rios limpos

Foto: Joca Duarte/SVMA

Uma das piores famas de São Paulo é a dos seus rios poluídos. No entanto, a capital tem sim rios limpos. No extremo sul da cidade, nas regiões de Parelheiros e Marsilac, dois rios podem ser considerados símbolos de resistência à vida moderna e sua poluição. Monos e Capivari são os últimos rios limpos do município que permitem a presença de banhistas. Eles também são importantes para a agricultura local, preservação da fauna e flora e o turismo sustentável.

Por Giovanna Bicalho


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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