Muito além do bullying: a difícil arte de ensinar a conviver

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O bullying na infância e na adolescência tem um papel devastador na formação dos jovens

Um depoimento do Felca sobre bullying me fez pensar não apenas em quem sofre, mas também em quem agride, em quem assiste e no papel dos adultos.

O que leva uma criança a humilhar outra? Às vezes, o desejo de ser aceita pelo grupo fala mais alto. Por isso, precisamos ensinar nossos filhos a não seguir os outros quando sabem que algo está errado. Rir, incentivar ou compartilhar uma humilhação também causa danos. E quem tem medo de se posicionar precisa saber que pode procurar ajuda.

Quando surge um conflito na escola, nossa primeira reação costuma ser defender nosso filho e descobrir quem tem razão. Mas será que estamos realmente ajudando?

Precisamos de adultos emocionalmente maduros, capazes de escutar, reconhecer que seus filhos também erram e não transformar um desentendimento entre crianças em uma disputa entre famílias.

Nem todo conflito é bullying. Desentendimentos fazem parte da infância; o bullying envolve agressões repetidas e desequilíbrio de poder. Em qualquer caso, a intervenção dos adultos é fundamental, com a proteção necessária a quem sofre.

Todo conflito pode trazer aprendizado, mas não basta obrigar as crianças a pedir desculpas. É preciso orientar, estabelecer limites e ajudá-las a entender o impacto de suas atitudes. Quem agride precisa ser responsabilizado, não humilhado. Quem sofre precisa de acolhimento. E quem presencia precisa aprender a não reforçar a agressão.

Família e escola devem caminhar juntas. Mais importante do que decidir quem venceu é ensinar respeito, empatia e responsabilidade.

Talvez a pergunta não seja apenas “quem tem razão?”, mas “o que nossos filhos podem aprender com isso?”.

Porque a forma como lidamos com os conflitos hoje ensina como eles lidarão com os seus amanhã.

Dra. Eliana Maekawa

Pediatra e Neonatologista

@‌draelianamaekawa

draelianamaekawa@gmail.com


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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