Estudo da UFSCar e do University College London com 2.815 pessoas idosas detectou indicador de perda de mobilidade
A deficiência de vitamina D pode ser considerada um alerta para uma velhice com baixa mobilidade. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em parceria com a University College London, no Reino Unido, revelou que pessoas idosas com deficiência de vitamina D apresentavam maior risco de lentidão na caminhada. Os resultados foram publicados na revista Diabetes, Obesity and Metabolism.
A lentidão da marcha em pessoas idosas – menos de 0,8 metro por segundo (m/s) – é um importante indicador de mobilidade e está associada à perda de independência e ao maior risco de quedas, hospitalização, institucionalização e morte.
“Com isso, a vitamina D se torna um marcador importante para identificar mais precocemente o risco de lentidão da caminhada e serve como um alerta para uma velhice com possíveis dificuldades de mobilidade”, afirma Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e autor do estudo, que foi financiado pela FAPESP. “Como a lentidão da caminhada está associada ao maior risco de dependência funcional e desfechos adversos, o monitoramento dos níveis de vitamina D, principalmente em pessoas idosas, também deve ser priorizado nos diversos contextos clínicos e serviços de saúde”, ressalta Alexandre.
Os pesquisadores analisaram dados de 2.815 pessoas com 60 anos ou mais. Os participantes integram o English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), estudo longitudinal de saúde da Inglaterra. No trabalho a princípio foram selecionados apenas indivíduos que não tinham nenhum problema relacionado à velocidade de marcha. Os níveis de vitamina D no sangue foram avaliados no início do estudo e a velocidade da marcha foi reavaliada ao longo de seis anos, o que possibilitou correlacionar a redução da velocidade da marcha em função da condição de suficiência, insuficiência ou de deficiência de vitamina D.
Os pesquisadores ressaltam que a lentidão na caminhada tem causa multifatorial e a deficiência de vitamina D, por um período de seis anos, seria uma delas. “A vitamina D tem um papel importante no sistema musculoesquelético, pois, ao ser sintetizada pela luz solar, atua nas células musculares regulando a entrada e saída de cálcio, o que permite a contração muscular, por exemplo. Portanto, quando há deficiência de vitamina D, esse fluxo é prejudicado”, diz Mariane Marques Luiz, professora da UFSCar que conduziu a pesquisa durante seu estudo de doutorado.
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