Como a tecnologia transformou o atendimento às mulheres vítimas de violência em São Paulo

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Criação da Cabine Lilás dentro do Centro de Operações da Polícia Militar trouxe acolhimento especializado - Crédito: Divulgação/Governo de SP

De filas intermináveis e acolhimento precário a rede de atenção com aplicativo, tornozeleiras e salas online

“Alô. Aqui é da Polícia Militar. Sua tornozeleira eletrônica está descarregando. Carregue imediatamente”. Esse é o recado que o cabo PM Luanque dos Santos costuma mandar por telefone, de dentro do Centro de Operações da PM de São Paulo, a homens tornozelados por violência contra a mulher. Além da mensagem direta ao agressor, o recado é um exemplo de como as forças de segurança em São Paulo atuam para garantir que medidas protetivas em defesa da mulher sejam cumpridas e uma demonstração do monitoramento 24h de possíveis violações. E a tecnologia tem sido uma das principais aliadas para fazer valer a defesa da mulher enquanto política pública no estado.

Entre os avanços que marcam os 40 anos de Proteção às Mulheres em SP, uma das iniciativas mais destacadas é o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores com medidas protetivas em vigência. Atualmente, 155 suspeitos na capital são rastreados 24 horas pelos sistemas da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). Violações são respondidas com acionamento imediato da Polícia Militar e contato direto com a vítima, o que já resultou na prisão de 55 agressores até junho de 2025.

“Em São Paulo, a tecnologia tem sido nossa grande aliada na defesa da mulher. Com tornozeleiras eletrônicas de georreferenciamento, monitoramos agressores em tempo real, as cabines lilás oferecem atendimento imediato, e o app SP Mulher Segura conecta cada mulher à rede de proteção do Estado com rapidez e autonomia. Juntas, essas soluções reforçam nosso compromisso com a segurança e a dignidade de todas”, diz a secretária estadual de Políticas para a Mulher, Valéria Bolsonaro.

Integrado ao monitoramento, o aplicativo SP Mulher Segura reúne diversas funcionalidades digitais. Além do botão do pânico, que foi acionado mais de 900 vezes em um ano desde o lançamento, a plataforma possibilita a emissão de boletim de ocorrência online (mais de 800 registros em doze meses) e cruzamento automático da geolocalização da vítima com a do agressor monitorado por tornozeleira. Em situações de risco, o Centro de Operações (Copom) é acionado e viaturas se deslocam imediatamente.

Durante décadas, mulheres vítimas de violência no estado de São Paulo enfrentavam filas de horas, falta de privacidade e, muitas vezes, precisavam repetir histórias dolorosas a policiais sem preparo específico.“Na maioria das vezes, ou a mulher não ia (à delegacia), pelo constrangimento, ou ela ia e não tinha o acolhimento necessário daquele caso”, lembra Rosmary Corrêa, Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e atual presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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