Iniciativa nos megablocos do Ibirapuera reúne 200 trabalhadores, garante reciclagem organizada, limpeza urbana e geração de renda durante a folia
Em um dia marcado pela festa dos foliões que acompanham os blocos de Ivete Sangalo e Alceu Valença no Ibirapuera, na abertura do Carnaval de Rua 2026, um outro bloco também entra em ação de forma silenciosa e essencial para a cidade. Ao longo do dia, 200 catadores retiram toneladas de material reciclável do caminho dos megablocos e as levam até uma central de triagem montada pela Prefeitura de São Paulo no local, onde o material coletado pode gerar até R$ 250 por dia em remuneração direta.
A ação funciona por meio de um sistema estruturado de recebimento, pesagem, triagem e pagamento dos materiais recicláveis coletados em cada um dos oito dias de festa, promovendo limpeza urbana, destinação correta de resíduos e inclusão social.
Ao chegar à central de triagem, os resíduos passam por pesagem imediata, com registro da quantidade entregue. Com base nesse volume, o valor correspondente já é calculado e liberado para pagamento.
Existem duas metas de coleta estabelecidas. A cada 15 quilos de materiais recicláveis, o catador recebe R$ 150. Com a entrega adicional de mais 5 quilos, recebe R$ 100 extras, podendo alcançar uma média diária de até R$ 250, conforme a quantidade coletada.
Entre os catadores que participam da ação está Gabriel Alexandre Panula, 37 anos, morador da Aclimação, na região central de São Paulo, que trabalha exclusivamente com reciclagem. Para ele, a estrutura montada pela Prefeitura nos megablocos faz diferença tanto para a cidade quanto para quem vive do recolhimento de resíduos. “Ajuda a limpar a cidade e, ao mesmo tempo, a gente ganha um dinheiro”, resume. Segundo Gabriel, sem a base instalada no Carnaval, o material teria de ser levado para casa e vendido depois, com rendimento menor. “Aqui a gente recebe melhor”, afirma. A expectativa para o dia é alcançar a meta de R$ 200, valor que, segundo ele, tem destino certo. “Esse dinheiro faz diferença. É para comprar comida.”
Após a pesagem e o registro, os materiais seguem para a triagem inicial, realizada no próprio espaço, onde os catadores fazem a separação por tipo de resíduo. Em seguida, os recicláveis são encaminhados para uma central de triagem da cooperativa, garantindo a destinação correta e o reaproveitamento dos materiais.
A estrutura montada para a iniciativa conta com área de recebimento e pesagem, setor de triagem e acondicionamento, além de caçambas específicas para armazenamento temporário. Os resíduos separados são posteriormente transportados por caminhões e caçambas da operação de varrição, responsáveis pela retirada e destinação final adequada.
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