Cientistas desenvolveram uma ferramenta que prioriza os benefícios ecossistêmicos na criação de espaços verdes urbanos
Entrar num parque nos evoca muitas sensações. Dentro de uma metrópole, como São Paulo, e em um cenário de emergência climática, o impacto desses espaços verdes pode ser ainda maior. Esse é um dos resultados da pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto de Biociências (IB) da USP, participantes do Programa Biota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
“Como meu propósito era entender como essas soluções poderiam melhorar a qualidade de vida da população e já havia muitos dados sobre o assunto, nós tivemos a ideia de investigar como priorizar e alocar essas soluções de maneira inteligente, para maximizar o custo-benefício e os impactos positivos desses locais”, explica Gabriel Moreno Tarragô, pesquisador do Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação (LEPaC) da USP e um dos autores da pesquisa.
O estudo analisou, além da recreação, a potencialidade de mais dois serviços ecossistêmicos providos por parques urbanos e essenciais e críticos nas grandes cidades: regulação climática e infiltração hídrica.
Segundo o pesquisador, a criação de parques urbanos geralmente é influenciada por muitos fatores, como pressão social, interesses políticos e disponibilidade de recursos financeiros. Porém, esses fatores, sem um planejamento estratégico, na maioria das vezes limitam os benefícios sociais e ambientais que esses espaços verdes poderiam oferecer.
Para superar essas limitações e encontrar a melhor forma de planejar espaços verdes em áreas urbanas, Gabriel Tarragô, com o apoio de um grupo de pesquisadores e de técnicos da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SVMA), analisou 211 projetos de parques propostos pelo órgão. A pesquisa realizou diversas simulações de possíveis cenários para a implantação dos parques.
Na pesquisa foi utilizada uma abordagem que integrou a oferta, a demanda e o fluxo desses três serviços ecossistêmicos com uma ferramenta de otimização espacial para a simulação dos diferentes cenários de priorização. Os custos dos parques foram avaliados de acordo com três critérios – a desapropriação de área, a implementação do parque e a sua manutenção.
Os resultados indicam que o equilíbrio entre os custos e benefícios de criação e manutenção desses espaços é crucial nas compensações entre os serviços ecossistêmicos.
O estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros em coprodução com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) é uma ferramenta de adaptação climática global e pode auxiliar diferentes populações a enfrentar, de maneira planejada, tanto os desafios cotidianos dos centros urbanos, como os impactos negativos dos eventos extremos climáticos.
Gabriel Moreno Tarragô bolsista Fapesp de Jornalismo Científico no Núcleo Biota Síntese. Adaptado para o Jornal da USP.
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