Pouco discutida, a relação entre sarampo e perda auditiva preocupa especialistas: as sequelas podem ser permanentes e afetar ambos os ouvidos
Com o avanço dos casos de sarampo no estado de São Paulo — já são 26 registros confirmados em 2026, a Secretaria de Estado da Saúde intensificou a recomendação de vacinação. Diante desse cenário, o Hospital CEMA, referência em otorrinolaringologia, faz um alerta para uma complicação da doença pouco discutida, mas potencialmente grave e irreversível: o comprometimento da audição.
Dados do MS – Ministério da Saúde apontam que uma a cada 10 crianças com sarampo desenvolve algum grau de comprometimento auditivo. Segundo o Dr. Marcelo Mello, otorrinolaringologista do Hospital CEMA, o sarampo pode comprometer a audição das duas formas. A primeira ocorre por meio de otites, que causam perda auditiva temporária e sensação de ouvido abafado. A segunda, mais grave, é a perda auditiva neurossensorial, que pode provocar alteração na percepção dos sons, zumbido e dificuldade para compreender a fala, com risco de sequelas permanentes.
De acordo com o médico, quando o comprometimento auditivo decorrente do sarampo evolui para perda mais severa, atingindo os dois ouvidos, o índice de recuperação é reduzido.
“Trata-se de uma perda auditiva bilateral e, infelizmente, as chances de reversão diminuem com o passar do tempo. Por isso, é fundamental procurar atendimento especializado diante de qualquer alteração na audição. Quanto mais precoce for o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de um desfecho favorável”, reforça o especialista.
Embora qualquer pessoa infectada pelo sarampo possa desenvolver algum grau de comprometimento auditivo, alguns grupos exigem vigilância ainda maior, segundo o Hospital CEMA:
Crianças;
Idosos;
Gestantes;
Pessoas com doenças pré-existentes
Viajantes que estiveram recentemente em países das Américas, região que tem registrado surtos da doença, e que devem observar sintomas com atenção redobrada ao retornar ao Brasil.
Diante de qualquer alteração na audição — como zumbido, sensação de ouvido abafado, distorção dos sons, percepção metálica ou dificuldade para compreender a fala — durante ou após um quadro viral, a recomendação é procurar um otorrinolaringologista imediatamente, sem aguardar a melhora espontânea dos sintomas.
“O tempo é um fator determinante para o prognóstico desses casos. Ao menor sinal de comprometimento auditivo, o atendimento especializado deve ser buscado o quanto antes”, orienta o Dr. Marcelo Mello.
SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br
