Com aumento dos diagnósticos de TDAH, escolas enfrentam desafio para garantir aprendizagem efetiva 

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Crédito: Magnific

Transtorno acomete de 5% a 8% das crianças em idade escolar

A discussão sobre transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) tem ocupado cada vez mais espaço dentro das famílias, consultórios médicos e, principalmente, nas escolas. Considerado um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns na infância, o TDAH afeta diretamente habilidades relacionadas à atenção, controle de impulsos, organização, memória operacional e autorregulação, impactando a forma como crianças e adolescentes aprendem e se desenvolvem ao longo da vida escolar.

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o TDAH acomete entre 5% e 8% das crianças em idade escolar no mundo. No Dia Mundial de Conscientização do TDAH, celebrado em 13 de julho, especialistas reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre inclusão escolar e, principalmente, sobre a forma como o processo de aprendizagem precisa considerar diferentes funcionamentos cognitivos dentro da sala de aula.

Para a Dra. Janaína Mourão, especialista em educação e diretora pedagógica do IntraAct Brasil, um dos maiores desafios é fazer com que as redes de ensino acessem pesquisas confiáveis sobre o desenvolvimento neurobiológico desses estudantes de modo a tomar atitudes mais conscientes e efetivas.

“O TDAH não representa falta de capacidade intelectual ou ausência de potencial de aprendizagem. O que muitas vezes acontece é que a criança está inserida em processos pedagógicos que não oferecem previsibilidade, progressão clara ou estímulos organizados o suficiente para favorecer a consolidação do aprendizado”, explica.

Segundo a especialista, o debate sobre a inclusão ainda precisa ser ampliado mas, à medida que as crianças estão nas escolas, é preciso que a pedagogia se aproxime da neurociência.

Na prática, crianças com TDAH costumam apresentar maior dificuldade para sustentar atenção prolongada, organizar informações, lidar com excesso de estímulos simultâneos e manter constância em tarefas repetitivas quando não existe clareza no processo de aprendizagem. Isso faz com que muitos estudantes acumulem lacunas importantes já nos primeiros anos escolares, especialmente durante a alfabetização.

Para Janaína, esse cenário reforça a necessidade de abordagens pedagógicas que reduzam a sobrecarga cognitiva e organizem o ensino de maneira progressiva. “Quando falamos de aprendizagem, especialmente em crianças com TDAH, precisamos entender que excesso de estímulo nem sempre significa mais aprendizado. O cérebro aprende melhor quando existe estrutura, repetição planejada, progressão lógica e redução de erros desnecessários durante o processo”, afirma.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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