Decisão do Conpresp autoriza intervenção em espaço tombado e gera reação de entidades, frequentadores do parque e representantes da sociedade civil
A aprovação de um projeto que prevê a instalação de uma academia na Serraria do Parque Ibirapuera reacendeu o debate sobre os limites entre modernização, exploração econômica e preservação do patrimônio histórico na capital paulista. A proposta recebeu aval do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e agora enfrenta questionamentos de especialistas, entidades e frequentadores do parque.
A Serraria é uma estrutura industrial histórica que foi incorporada na década de 1990 por projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. A estrutura foi incorporada ao projeto como elemento de valor histórico e arquitetônico, mantendo sua permeabilidade visual e integração com o entorno.
O projeto aprovado prevê adaptações no galpão para abrigar uma academia voltada à prática de atividades físicas, incluindo musculação e outras modalidades esportivas. A proposta contempla o fechamento parcial da estrutura com elementos construtivos removíveis e integra um conjunto de intervenções estimado em cerca de R$ 35 milhões.
Durante a análise do projeto, conselheiros levantaram questionamentos sobre a compatibilidade da intervenção com as diretrizes originalmente estabelecidas para a área e com o plano que orientou a concessão do parque à iniciativa privada. Parte dos integrantes do colegiado apontou possíveis impactos sobre as características históricas e paisagísticas do espaço, enquanto a maioria entendeu que as adaptações são compatíveis com a preservação do patrimônio.
A decisão dividiu opiniões. Representantes da sociedade civil argumentam que a mudança altera a vocação do local, atualmente utilizado para atividades gratuitas como ioga, meditação e práticas de bem-estar abertas ao público. Para os críticos, a introdução de um equipamento de caráter comercial pode reduzir espaços de convivência e restringir o acesso a atividades comunitárias.
Já os defensores da proposta afirmam que a intervenção permitirá a recuperação e a ampliação do uso da Serraria, conciliando preservação arquitetônica com novas formas de ocupação. O debate deve continuar nos próximos meses, inclusive na esfera judicial, com participação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que está verificando possíveis irregularidades relacionadas a decisões envolvendo a preservação do patrimônio histórico da capital.
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