Exposição “Cabodá”, na Capela do Morumbi, um dos edifícios mais antigos de São Paulo, é prorrogada até outubro

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Foto: Marcelo Arruda/Umbigo

Obra é construída a partir dos furos originais da taipa de pilão e traz reflexão sobre equilíbrio, corpo e espaço

A exposição Cabodá, da artista paulistana Marcia Pastore, será prorrogada até outubro na Capela do Morumbi, que faz parte do Museu da Cidade de São Paulo. A obra foi inaugurada em novembro de 2025 e se estenderia até maio, selecionada pelo 1º Edital de Artes Visuais do Museu da Cidade de São Paulo, pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

Recentemente, a instalação foi analisada em uma matéria da Revista Umbigo, uma renomada plataforma de referência para a arte e cultura contemporânea. A mostra utiliza o espaço dos furos deixados pelas madeiras atravessadas na taipa de pilão, conhecidas como cabodás, para conectar o interior e o exterior do edifício. A partir dos vazios que ficaram depois da construção, Pastora transforma em elementos arquitetônicos em escultura e propõe uma reflexão sobre equilíbrio, corpo e espaço.

No processo de erguer uma parede de taipa de pilão, as madeiras sustentam o molde enquanto o barro é compactado, mas quando são retiradas, deixam buracos. A partir dessa ausência, Pastore colocou gangorras em ferro e argila, cada uma atravessando um dos furos originais da parede do altar. Essa tensão invisível — entre o que sustenta e o que é sustentado — sintetiza a pesquisa da artista, marcada pela observação das estruturas físicas e simbólicas do espaço.

“Sempre me interessou o modo como a arquitetura e o corpo se sustentam mutuamente. Em Cabodá, esse equilíbrio aparece entre o que é visível e o que permanece oculto. A parede da capela separa as partes, mas também as conecta. É um trabalho sobre a força que existe no que não se vê — sobre a presença que se constrói a partir da ausência”, contou Pastore.

A artista realizou uma imersão em uma olaria no interior paulista para desenvolver as peças de argila que compõem o trabalho. Durante o processo, testou deformações em blocos cerâmicos industriais, batendo-os contra a parede até que perdessem as arestas e ganhassem forma cilíndrica, próxima à dos vazios da taipa. O gesto, quase performático, é tanto físico quanto simbólico: um embate entre corpo e matéria que evidencia a resistência do material e a dimensão experimental de sua prática.

Serviço:

Atração: Exposição “Cabodá”, de Marcia Pastore

Quando: prorrogada até outubro – de terça a domingo, das 9h às 17h

Onde: Capela do Morumbi – Av. Morumbi, 5387, Morumbi, São Paulo

Entrada gratuita


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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