Redes sociais aceleram compras por impulso e especialistas alertam: o cérebro jovem não está pronto para decidir sozinho

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Crédito: Freepik

Especialistas fazem alerta sobre a relação entre saúde mental e financeira

Com a consolidação do TikTok Shop no Brasil e a ampliação das funcionalidades de compra rápida dentro de plataformas como TikTok, Instagram e YouTube, o chamado social commerce entra de vez na rotina das famílias. O que antes era apenas entretenimento agora se transforma, em poucos cliques.

Mas enquanto a tecnologia evolui, uma pergunta se torna urgente: crianças e adolescentes estão preparados para lidar com decisões financeiras dentro de ambientes digitais altamente persuasivos?

Para a educadora financeira infantil e juvenil Clariana Barcelos, fundadora do Poderoso Cofrinho, o momento exige atenção e responsabilidade dos adultos. “Estamos falando de plataformas desenhadas para reduzir o tempo entre o desejo e a compra. Para um cérebro em desenvolvimento, isso é um desafio enorme. A educação financeira precisa começar antes do cartão de crédito; começa na construção da consciência sobre desejo, necessidade e consequência”, explica.

Clariana explica que o risco não está apenas na compra em si, mas na formação de um padrão mental: “Quando a criança aprende que frustração se resolve com consumo e que pertencimento se compra, estamos criando adultos emocionalmente dependentes do dinheiro para validar quem são. Educação financeira é também educação emocional”.

A neuropsicopedagoga Elaine Carneiro, especialista em Neuropsicologia e Neurometria Funcional, explica que o problema não é falta de limite, é maturidade neurológica: “O córtex pré-frontal, responsável por tomada de decisão, controle de impulsos e avaliação de risco, só atinge maturação completa por volta dos 24 ou 25 anos. Já o sistema límbico, ligado à emoção e à recompensa, é altamente ativo na adolescência”.

Tanto Elaine como Clariana orientam que o caminho não é apenas proibir, mas mediar e ensinar. A seguir, confira dicas da educadora financeira e da neuropsicopedagoga.

  • Crie a regra das 24 horas antes de qualquer compra não essencial;
  • Pergunte para o jovem: Se você não tiver isso hoje, o que acontece?,
  • Explique como influenciadores são remunerados e como funcionam estratégias de escassez;
  • Inclua os filhos em conversas sobre orçamento doméstico, contas e planejamento;
  • Trabalhar educação emocional;
  • Ensinar a lidar com frustração reduz compras impulsivas.

SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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